A visita do Flamengo à Colômbia reafirmou algumas certezas. Uma delas, por vezes ofuscada pelos gols de Gabigol e Bruno Henrique, é a categoria de Éverton Ribeiro. Seja para girar, passar, enxergar o jogo ou finalizar. Seus dois gols resolveram uma partida que, por certo tempo, foi menos simples do que indicava o placar. Outra, que mesmo em jogos um tanto desconfortáveis, a qualidade técnica deste time pode conduzi-lo a vitórias importantes como o 2 a 1 de ontem, em Barranquilla, na estreia da Libertadores.
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A outra certeza é o tamanho de Gabigol como ídolo continental. Antes de ir para o vestiário, deixou camisa e chuteiras com um menino, torcedor do Junior Barranquilla, que invadira o gramado chorando de soluçar. Parece ter amadurecido seu entendimento de jogo tanto quanto a consciência de seu papel de ídolo. Poderia ampliar tal conduta à disciplina em campo. Ontem, novamente se envolveu em discussões, faltas e podia ter recebido mais do que um cartão amarelo. Assim como Téo Gutierrez, do Junior, que escapou de expulsão ainda no primeiro tempo.
Quanto ao jogo, é possível dividir a primeira etapa em dois focos de análise: o gol e o restante do tempo. A jogada finalizada por Éverton Ribeiro reúne, em um lance, diversas virtudes do time de Jorge Jesus. No mais, apareceram problemas.
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Começando pelas boas notícias, o lance do gol, aos cinco minutos, iniciou em belo giro de Thiago Maia, livrando-se da tentativa de pressão dos colombianos e abrindo campo para a construção da jogada — sua adaptação ao time é boa notícia para o ano. A partir daí, o Flamengo exibiu outras virtudes conhecidas: a capacidade de ser vertical e buscar passes na direção do gol rival, a forma como alguns movimentos são executados de forma natural e a qualidade técnica. Teve tudo isso na jogada em que Arrascaeta, que começara como segundo atacante, moveu-se para o lado esquerdo em diagonal e achou belo passe para a precisão de Éverton Ribeiro ao finalizar.
SAÍDA DE BOLA PREOCUPA
O segundo gol, já na segunda etapa, mostrou o quanto o Flamengo de 2020 pode ter ainda mais velocidade com opções de lado de campo. Novas armas, mais repertório.
Mas gol à parte, o Flamengo ficou desconfortável por muitos minutos. Por duas razões. A principal, a saída de bola muito prejudicada com a linha de defesa que conservava só um nome de 2019: Filipe Luís. Pablo Marí se destacava neste aspecto e é natural que as voltas de Rafinha e Rodrigo Caio ajudem a estabilizar. Resta saber o quanto a falta do espanhol será notada e como Gustavo Henrique ou Léo Pereira vão se adaptar.
Defesa e ataque não são setores independentes num time. Com a defesa modificada, sofria a construção ofensiva, mas também a forma de combater. A bola era perdida rapidamente e o jogo transcorria no campo defensivo rubro-negro por mais tempo do que este time gosta. Nem houve tantas chances claras para o rival, a exceção de uma ótima defesa de Diego Alves em chute de Borja, mas o jogo não parecia controlado.
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Ocorre que, com mais espaço, o Flamengo pareceu controlar o início do segundo tempo. Teve grande chance com Gabigol após jogada de Vitinho, mas o gol não saiu e o Junior voltou a pressionar. Viu-se um Flamengo que sofreu mais do que o usual e Téo Gutierrez, perdoado pelo árbitro, parou em Diego Alves pouco antes de Jorge Jesus intervir.
A ideia ao trocar Arrascaeta por Michael era clara: trazer Éverton Ribeiro para meia central e apostar em contragolpes de velocidade. Ainda assim, o time demorava a conseguir sair de trás com qualidade. Thiago Maia era quem melhor executava o primeiro passe. Mas uma combinação de Gabigol e Michael decidiu o jogo, com mais um gol de Éverton Ribeiro. Nos acréscimos, o gol de Téo Gutierrez apenas lembrou ao Flamengo que, quando necessário, trocar boa parte de sua linha defensiva ainda o expõe a riscos.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.