Thiago Almada ainda não decidiu se vem para o Flamengo, mesmo com o Atlético de Madrid disposto a vendê-lo. Essa é a verdadeira encruzilhada que congela a negociação avaliada em cerca de 30 milhões de euros — valor que colocaria o meia como segundo jogador mais caro da história do Mengão. O diretor José Boto foi claro: das três vontades necessárias para fechar o acordo, duas já existem. A que falta é a do próprio jogador.
Em entrevista exclusiva nesta quarta-feira (22), Boto explicou o cenário com precisão cirúrgica. “Precisamos de três vontades: a vontade do comprador, a vontade do vendedor, essas duas existem, e depois a vontade do jogador de querer vir. E essa ainda não é clara”, afirmou o dirigente. O Atlético de Madrid, segundo o executivo, tem o desejo claro de se desfazer do jogador. O Flamengo, evidentemente, está disposto a pagar. O que falta é o sim de Almada.
A prioridade do meia é permanecer no futebol europeu. Essa é a chave para entender por que o acordo não avança apesar de todas as peças estarem sobre a mesa. Almada espera por propostas do velho continente, e o Flamengo trabalha tentando convencê-lo de que a América do Sul — especificamente a Gávea — pode oferecer um projeto competitivo à altura de suas ambições. Até o momento, no entanto, nenhuma proposta europeia concreta chegou às mãos do atleta.
Rossi dá o aval e o Flamengo aguarda o jogador
Quem não hesitou em apoiar a possível chegada foi Agustín Rossi. O goleiro argentino do Rubro-Negro, que conhece bem o futebol sul-americano e o padrão dos compatriotas, rasgou elogios a Almada após a vitória sobre a Chapecoense. “Contratação de argentino, eu vou aprovar! Ele é muito qualificado, tem muita qualidade, acho que todo mundo já conhece ele. É novo, mas já tem duas Copas do Mundo que já foi convocado e já foi campeão”, disse o goleiro.
Rossi completou com a generosidade esperada de um vestiário que torce por reforços. “Se vier, seja bem-vindo, se não, a gente continua com nosso elenco tentando fazer nosso melhor para que no final do ano a gente possa comemorar.” A mensagem era clara: o Mais Querido quer o jogador, mas respeita a sua escolha. Essa abertura, porém, não resolve o impasse central da negociação.
O tempo psicológico de quem vem de Copa do Mundo
Boto foi estratégico ao mencionar um detalhe muitas vezes ignorado em negociações de mercado: o estado emocional de um jogador que acabou de sair de uma Copa do Mundo. No domingo anterior à entrevista (20 de julho), o torneio chegou ao fim — Almada foi vice campeão, reforçando seu prestígio no continente europeu.
“Sabendo também que no domingo passado acabou uma Copa do Mundo, está num período que, normalmente, depois de uma Copa do Mundo, quer se ganhe, quer se perca, a parte psicológica fica sempre um pouco afetada. E nós também não estamos a colocando nenhuma pressa nisso para que ele se decida assim rapidamente”, explicou o diretor. A paciência estratégica do Flamengo, portanto, é consciente: apressá-lo poderia afastá-lo ainda mais.
O valor em negociação, se confirmado, transformaria Almada no segundo reforço mais caro do clube. Samuel Lino, contratado por 22 milhões de euros em julho de 2025, seria ultrapassado. A diferença de 8 milhões de euros reflete a avaliação atual do mercado sobre o meia do Atlético — um valor que só faz sentido se o jogador realmente vier e render dentro de campo.
Nesta quarta-feira, o Flamengo segue na labuta de convencer Almada de que sair da Europa por enquanto é a escolha certa. A Nação rubro-negra aguarda a decisão. O Atlético de Madrid já cedeu. O clube da Gávea já preparou os cofres. Agora, tudo depende de um argumento que nenhum dirigente, por mais experiente que seja, consegue amarrar com precisão: a vontade de um jogador jovem que ainda acredita que seu lugar é nos holofotes europeus.

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