La Cumparsita
Antes da partida contra o Estudiantes, me preocupou nossa defesa para esse jogo, no que as reporta-gens chamam de “provável escalação”, que se confirmou apenas em parte. Eu não abriria mão do Varela, considerando que um espantalho ou uma biruta de posto de gasolina marcam melhor que o Emerson Royal. Só que Royal até que fez uma boa partida, na minha opinião. É isso, Royal: queime minha língua! Se for para rodar elenco ou poupar, nesse caso específico, eu preferia ter segurado a defesa contra o Vasco, no domingo. Mas eu sou um mero torcedor e não estou no dia-a-dia do clube nem da fisiologia.
Falando em fisiologia… Será que algum dia passaremos uma temporada sem algum jogador se lesionar seriamente? Diego, BH, Pedro 2x e, agora, Arrascaeta. Só jogadores importantes, pois diz a lenda que jogador ruim não se machuca e não desfalca. Tanta ciência, departamento de fisiologia, estatística, cartomante, poupa aqui, poupa acolá… Apenas para mitigar riscos. No final, em um lance besta, prevaleceu o imponderável: Arrasca fraturou a clavícula. Na minha santa ignorância, eu nem imaginava que a clavícula era factível de ser “fraturável” em um jogo de futebol. Aprendi da pior maneira possível, vendo nosso craque uruguaio sob risco de perder a Copa do Mundo. Azar! Essas coisas acontecem! Sorte que temos elenco, temos Saúl, Paquetá, talvez o Carrascal, um milhão de pontas… Se vira aí, Jardim!
Sobre o jogo contra os reprováveis discentes de La Plata… Altitude, catimba, arbitragens ruins e etc., tudo isso desfila pelas ruas da América do Sul. Achei um resultado excelente, para fins de classificação. Ficou o velho gostinho de que dava para vencer? Ficou sim. Perdemos gols fáceis, como sempre. Inclusive o gol de empate deles foi em um lance em que erramos um desses gols em dose dupla. Aí depois o Vitão não cortou direito o contra-ataque, os caras prosseguiram na jogada e a bola entrou. A meu ver, entrou toda sim. E, ainda que não tenha entrado, sou adepto da teoria do “in dubio pro gol” nestas circunstâncias e manterei a coerência mesmo contra meu time. Sem vilões e heróis, tomamos um gol no único lance da partida em que nossa defesa estava desarrumada. Dias de sorte, dias de azar.
E o que dizer da arbitragem típica de Libertadores vista em La Plata? Cartões economizados em favor dos argentinos, que foram demasiado violentos, pouco tempo de acréscimo, VAR não interveio quando deveria e o jogo ficou 1×1 pra ninguém botar defeito. Ou botar. O árbitro parece ter esquecido que tesoura é arma branca. Como disse Simon Ledo, o problema não é a arbitragem errar contra o Flamengo, mas, sim, que errar contra o Flamengo não gera revolta nem debate.
Página virada, vida que segue, temos nosso Vice preferido pela frente no domingo e sem nenhum meia disponível, o que, penso, não obstará que a freguesia vascaína tenha sua marcha.
Letalidade na Arena Gonzalo Plata
O Flamengo deu um recado. Não ao Atlético/MG, mas a todos os outros 19 participantes do Campeonato Brasileiro: somos nós o time a ser batido. Amigos bem-vestidos, um 0x4 contra um time grande, na casa deles, é algo sonoro. A vitória se torna mais saborosa ainda quando lembramos que o adversário, o recalcado e mau perdedor de Minas, tem um ódio pela gente que pode ser comparado a uma cegueira ideológica, que vem desde os anos 1980. Como eu disse na coluna passada, adoro vencer esses caras. Da forma como foi, melhor ainda.
E o que dizer de Gonzalo Plata?! Que golaço, mais um na Arena MRV – “Meu Recreio Vitalício”, como recebi no WhatsApp. O Flamengo fez uma partida excelente e ainda aproveitou para realizar um treino de dois toques no 2º tempo, quando a goleada se confirmou. Pedro é, de fato, o melhor tocador de calcanhar que eu vi desde Sócrates. Como nasci em 1986 e não vi Sócrates jogar, Pedro é o melhor. O Pedreira, sobretudo no auge, tem vaga em qualquer time do mundo. Inclusive na Seleção Brasileira.
Com o perdão do trocadilho, o Jardim revitalizou. Revitalizou nossos pontas. Destaco a – mais uma vez – excelente participação do Samuel Lino nos gols. A forma como o Flamengo atraiu a marcação, criou espaços e, a partir disso, desenvolveu as jogadas dos gols, mostrou que, se nos últimos jogos vínhamos abusando do direito de perder gols, no domingo fomos letais. Segundo dados da partida, das nove finalizações do Mengo, seis foram no alvo e quatro entraram no gol. Esta é a diferença entre eficiência e eficácia. E não foi somente o ataque o grande destaque: ali no meio, Evertton Araújo fez mais uma grande partida e se candidata a disputar vaga no time titular, quando o chileno malvado retornar de lesão. Será que Evertton é o nosso “João Gomes 2.0”? A boa partida também defensiva do Flamengo fez com que o “Botafogo sem praia” jamais se tornasse uma ameaça real à nossa vitória, apesar de ter tido duas boas chances, uma delas em grande defesa da dupla Rossi e travessão. A atuação coletiva e o domínio imposto fizeram deste jogo um dos melhores, se não for o melhor, do Flamengo neste ano.
Um telegrama para Nabi Abi Chedid
Gostaria de enviar um telegrama lá para o Nabi Abi Chedid – a sede, e não o figurão já falecido -, com a seguinte pergunta: por que o Bragantino só joga bem contra o Flamengo? Em quatro colunas aqui no site, é a segunda vez que cito o RB Bragantino, imerecidamente. Vocês já devem ter percebido que eu tenho certa ojeriza a esses caras e não vejo a hora de retornarem à Série B.
Isto posto,
SAUDAÇÕES RUBRO-NEGRAS.

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.