Bap defende demissão de Filipe Luís e se entusiasma com Leonardo Jardim

O presidente Luiz Eduardo Baptista não poupou elogios a Leonardo Jardim em entrevista ao Podcast do Barba nesta segunda-feira (13). Durante a conversa, Bap rasgou críticas à gestão anterior e explicou, em detalhes, os motivos que levaram à demissão de Filipe Luís ainda em março — mesmo após a goleada de 8 a 0 sobre o Madureira na semifinal do Campeonato Carioca.

A decisão, segundo o presidente do Clube da Gávea, já estava consumada. “O Flamengo ganhou de oito, a decisão já estava tomada. Qualquer que fosse o resultado, ela já estava tomada. E estava tomada por quê? Pelo conjunto da obra do filme,” afirmou Bap.

O que o chamava atenção, porém, era o desempenho calamitoso do time nos primeiros meses de 2026. Após disputar o Mundial até o fim de dezembro, o elenco principal deveria retornar apenas na última semana de janeiro, no Brasileirão. Mas o péssimo rendimento dos garotos da base no Campeonato Carioca forçou a antecipação do retorno. O planejamento desmoronou.

Planejamento destroçado e performance em queda livre

Bap foi incisivo ao criticar a falta de comunicação com a comissão técnica anterior. A data inicial prevista para o retorno era 6 de janeiro, depois alterada para 12, mas ninguém informou ao presidente que havia planos de disputar a competição estadual com força máxima. “Não teve planejamento nenhum, isso é uma conversa fiada. Teve uma ideia na cabeça de algumas pessoas e que não foram divididas com o presidente do Flamengo,” disparou.

Segundo o mandatário, a responsabilidade de decidir sobre competições e calendário é sua, exclusivamente. “Essa é uma decisão institucional, não cabe a nenhum técnico do Flamengo tomar essa decisão. Quem toma essa decisão sou eu.” Ele também reforçou que, na sua gestão, o clube não disputaria um torneio de morte para não cair no Carioca.

O cenário era dramático quando a troca foi anunciada. O Mengão tinha a pior performance entre todos os 20 clubes da Série A. Enquanto outros times — como o Corinthians, campeão da Copa do Brasil — retornaram e apresentaram futebol de qualidade, o Flamengo patinava. “Os outros clubes, os 19 clubes de Série A, voltaram na mesma época. Por que estavam todos melhores do que a gente?” questionou Bap.

O presidente citou falhas que extrapolavam apenas questões táticas. Intensidade insuficiente, sistema defensivo confuso, escalações questionáveis, falta de preparo físico — tudo isso pesava na decisão. E nada disso era novidade para ninguém no futebol do Flamengo. “Não é da minha personalidade não deixar claro o meu desconforto ou o que eu acho que está errado,” garantiu.

O elogio sem limites a Leonardo Jardim

Mas foi ao falar de Leonardo Jardim que Bap realmente se entusiasmou. O técnico português, segundo o presidente, estava fazendo exatamente o que se esperava de um comandante do Mais Querido: desenvolver jogadores, fazer ajustes inteligentes e resolver problemas.

O caso de Samuel Lino foi o principal exemplo. Jardim o trouxe mais para dentro de campo, modificando sua posição e aproveitando melhor seu potencial ofensivo. “Quando eu vejo o que ele está fazendo com o Samuel Lino, trazendo o Samuel mais por dentro, você vê a mão do treinador, você vê o talento do cara de perceber, ele faz um ajuste e resolve parte de um problema, e o jogador cresce. É muito satisfatório,” elogiou Bap.

A evolução não parava em Lino. Wallace retornou e marcou gols importantes. Lorran, descrito por Bap como “uma esperança de todo rubro-negro”, estava em ritmo. Emerson Royal seguia em campo. João Victor e Vitão completaram uma “intertemporada sensacional”. O quadro era completamente diferente do que se via em janeiro.

Bap reforçou que nenhum treinador é eterno e que sua responsabilidade é institucional, não pessoal. Mas a empolgação era evidente: “Eu fico muito feliz com o que eu vejo agora e estou animado por esse retorno”. Ele também desejou sucesso a Filipe Luís no Monaco, reconhecendo sua qualidade. “Eu sou muito grato ao que ele fez pelo Flamengo. Mas casamentos acabam também.”

A fala deixava claro que a decisão não foi impulsiva, nem baseada em um único jogo ou resultado. Foi um conjunto de fatores: desobediência ao planejamento institucional, desempenho coletivo inadequado, escolhas técnicas questionáveis e uma desconexão entre o que havia sido combinado e o que realmente foi executado. Para Bap, a única responsabilidade que importava era com o Clube de Regatas do Flamengo — e naquele momento, essa responsabilidade exigia uma mudança.