Bap freia ansiedade: Flamengo só contrata após 22 de julho e sem pagar qualquer preço

O presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) foi direto ao defender a postura do Flamengo no mercado: nenhuma contratação antes de 22 de julho. A resposta surgiu em entrevista captada por Venê Casagrande e reforça a linha de rigor financeiro que o Mais Querido adota enquanto aguarda a abertura oficial da janela de transferências.

“A janela está fechada, não tem janela aberta, como é que o Flamengo poderia ter contratado?”, explicou Bap, rebatendo a ansiedade de parte da torcida por reforços imediatos. A frase é simples, mas encerra a estratégia: respeitar o calendário das negociações e não se deixar pressionar por movimentos fora do prazo oficial.

Mas há mais na declaração do presidente. Bap também tocou em ponto sensível: a avaliação do elenco. Segundo ele, o Flamengo possui um conjunto “ótimo” de jogadores e não está em pânico. “O elenco do Flamengo é ótimo, nós não estamos desesperados e não vamos pagar qualquer preço para trazer qualquer um para atender essa ansiedade da massa porque não somos burros”, afirmou.

Confiança no elenco, rigor nos gastos

A postura reflete uma mudança de tom na gestão rubro-negra. O Mengão já passou por períodos de gastos descontrolados, e agora Bap coloca em primeiro plano a disciplina orçamentária. A justificativa tem lastro: o clube contratou Lucas Paquetá no início de 2026 por 42 milhões de euros, a maior compra da história do futebol brasileiro, enquanto no ano anterior havia vendido jogadores por 82 milhões de euros.

Esses números são fundamentais para entender o discurso presidencial. O Flamengo não é um clube em apuros financeiros, mas também não ignora seus limites. A venda expressiva de atletas no ano anterior gerou recursos que agora servem como caixa para decisões pontuais, sem necessidade de correria ou desespero.

Internamente, há alinhamento claro. José Boto, diretor de futebol, confirmou que negocia com três jogadores, sem revelar nomes ou posições. Leonardo Jardim, técnico, sinalizou necessidades em três áreas: ponta, meia armador e centroavante. A convergência entre Boto, Bap e o treinador sugere que as conversas estão em sintonia, sem pressa artificial.

Interesse em Danilo, mas sem prioridade

O presidente ainda abordou o interesse em Danilo, zagueiro da Juventus. Confirmou a sondagem, mas deixou claro: “ele não é prioridade”. A declaração situa o jogador como uma oportunidade, não como necessidade urgente. O Flamengo pretende contratar dois ou três reforços pontuais na janela que se abre em 22 de julho, priorizando reposição em caso de vendas.

Bap também aproveitou para criticar modelos de gestão adotados por algumas SAFs no futebol brasileiro. Referiu-se a elas como “SAF de safadeza”, numa fala que revela incômodo com práticas que ele considera irresponsáveis. A crítica reforça a diferença que o presidente quer marcar: o Flamengo terá disciplina mesmo com aportes financeiros.

A pressão da torcida rubro-negra por contratações é real. Em redes sociais e nos estádios, há clamor por nomes rodados. Bap reconheceu essa “ansiedade da massa”, mas recusou-se a transformá-la em agenda. Ao dizer que o clube “não é burro”, o presidente estabeleceu um corte claro: a vontade coletiva não sobrepuja a razão técnica e financeira.

Com a janela oficialmente aberta em 22 de julho, o Flamengo terá duas semanas de operações oficiais antes da Série A entrar em seu ritmo mais acelerado. Nesse período, as três negociações mencionadas por Boto deverão ganhar contornos mais definidos. Mas até lá, o discurso de Bap é cristalino: paciência, disciplina e desconfiança em qualquer movimento que saia do rigor.

Evertton Araújo, atacante do elenco, já foi sinalizado por Boto como potencialmente vendável, o que pode abrir espaço para chegadas estratégicas. Tudo dentro do planejamento anunciado: reforços pontuais, sem frivolidade, respeitando o calendário e as possibilidades reais do clube. O Mais Querido segue sua rota sem abrir mão do comando sobre o próprio futuro mercadológico.