O tango e a tunga
Um jogo morno, violento, com ritmos alternados. Assim foi Flamengo 1×0 Estudiantes, nesta última quarta-feira. Com gol de quem? Do Pedro que não é Bó, mas, sim, Pedreira. Não sei o que me impressiona mais no Pedrão: a qualidade técnica ou a visão de jogo. Acho que a primeira. Seu gol teve um misto de ambas as qualidades: qualidade para tirar a bola daquela forma e visão de jogo para surpreender o goleiro e meter pro gol dali mesmo. Pedro está no auge desde o ano passado, mostrando seu extenso repertório. Se metesse aquela bicicleta no fundo do barbante, após passe magistral do Paquetá, era o caso de o Mr. Ancelotti rever sua não-convocação. Curiosamente, Pedro merece mais ir para a Copa neste ano do que na de 2022, em que esteve presente. Coisas do futebol…
Falando em Copa, no atual momento futebolístico da temporada, em que quatro jogadores nossos foram convocados somente pela Seleção Brasileira, ainda tendo as seleções Colombiana, Uruguaia e Equatoriana pela frente, todo cuidado é pouco. O boleiro raiz, a meu ver, quer jogar. Mas seu subconsciente exige uma cautela em uma entrada ou outra, em um lance assim ou assado. Quanto mais conseguirmos preservar os convocados, melhor. Vejamos essa última partida, em que o adversário, como bom argentino que é, praticou o antijogo a todo instante, com requintes de deslealdade nalguns momentos, sob a sempre conivente arbitragem da Conmebol, funesta entidade que levou 15 dias para se decidir sobre a única possibilidade que ela possuía em resolver a partida inacabada contra o Independiente Medellín. Realmente é muito difícil fazer uma escolha de uma só alternativa (contém ironia) e, pior, é muito chato você entrar em campo sem saber se tem 7 ou 10 pontos, se foi a 10 ou a 13 (não contém ironia). Felizmente, isso não está fazendo a menor diferença para o Flamengo, pois já estamos classificados e em primeiro lugar do grupo.
Depois das palhaçadinhas nas fases de grupo de 2023, 2024 e 2025, o Mengo passou cânfora nas canelas e retornou à sua estaca normalizada pós-2019, para passar com folgas às oitavas, abrir a cadeira de praia, pegar a cervejinha e aguardar o sorteio do mata-mata.
Guampada de boi manso
Vários sentimentos pululam nosso torcedor após o empate de 1×1 contra o eterno quase-grande “Sinthetico” Paranaense. O sentimento foi de alívio, porém de que poderia ter saído algo melhor de Curitiba. Alguns torcedores ficaram revoltados com o peru do Rossi, outros ficaram com a arbitragem (ou ambos) e outros com o Saúl, que não entendeu o gramado sintético e errou tudo e mais um pouco. Todos têm sua parcela de razão. Rossi falhou no jogo das quartas-de-final da Libertadores, ano passado, contra o Estudiantes. Falhou contra o PSG. Falhou contra o Lanús, na Recopa, em coparticipação com o Ayrton Lucas. Falhou contra o Vitória, na semana passada. E agora falhou de novo, contra o CAP. Qualé, Rossi?! Tu tens crédito pra caramba e a gente te adora, mas dá uma maneirada aí, por favor!
Mais uma vez, o Flamengo não conseguiu transformar seu domínio em gols, muito mais graças à dificuldade imposta pelo gramado do que pelo mediano adversário. Nessas situações, até damos uma cabeçada no oponente, mas cabeçada de boi manso, que machuca pouco ou quase nada, insuficiente para levar os três pontos para a Gávea. Noves fora, desfalques e gramado à parte, achei um bom resultado aquele empate, pois não nos prejudicou na tabela, o que terá efeito a depender do resultado de amanhã, contra o futuro ex-líder do campeonato.
Cabe perguntar: não deveria o Bruno Henrique entrar mais como titular, ao lado do Pedro? Estou achando que o BH tem pedido passagem e, quando um jogador deste naipe pede passagem, seu requerimento deve ser deferido.
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.