Boto acusa Estudiantes de agressões sistemáticas e critica arbitragem após empate na Libertadores

José Boto não conteve a irritação após o empate entre Flamengo e Estudiantes. O diretor de futebol do Mais Querido saiu da partida em La Plata, pela terceira rodada do Grupo A da Libertadores, acusando os argentinos de agressão sistemática e apontando a omissão da arbitragem como motivo de frustração. O resultado de 1 a 1, além de deixar o elenco com hematomas e lesões, abriu cicatriz sobre a violência permitida em solo argentino.

“Há dois lances de expulsão que ele deixa para trás. É impossível jogar assim. Eles apitam de um jeito na Argentina e de outra forma fora daqui. Nossa equipe lá dentro parecia que estava numa guerra”, disparou Boto logo após a partida. O diretor não poupou críticas à forma como o árbitro chileno Piero Maza conduziu o jogo, permitindo infrações graves sem consequências apropriadas.

O lance mais grave ocorreu logo aos 16 minutos do primeiro tempo. Arrascaeta disputava a bola quando sofreu uma entrada que o derrubou sobre o ombro. O impacto fraturou a clavícula direita do camisa 10. Substituído por Carrascal e levado a exame de imagem ainda na Argentina, a lesão foi confirmada: afastamento estimado entre seis e doze semanas. Reavaliação no Rio definirá se será necessária cirurgia.

Os lances esquecidos que geraram duas expulsões potenciais

Boto detalhou os episódios que, segundo sua avaliação, mereciam vermelho. “Se o Bruno Henrique não tira a perna, poderia ter uma lesão muito grave. Eram duas expulsões. E aquela atrás do Royal”, explicou o diretor, referindo-se à entrada de Palácios no atacante e à tesoura de Farías no lateral direito.

No primeiro tempo, Emerson Royal recebeu uma tesoura de Farías no lado direito. O lance era para ser revisado pelo VAR segundo protocolo, mas o árbitro apenas amarelou o defensor do Estudiantes. Royal saiu de campo com o nariz ensanguentado, marcado pela violência do jogo.

No segundo tempo, Tomás Palácios, defensor do Estudiantes que já carregava cartão amarelo, deu uma entrada solada em Bruno Henrique. Os jogadores do Mengão pressionaram o juiz por uma expulsão óbvia. Piero Maza não mostrou nem o cartão amarelo. O ex-árbitro PC Oliveira, que analisou os lances, afirmou que o VAR deveria ter intervindo para aplicar vermelho.

José Barros, auxiliar de Leonardo Jardim que concedeu entrevista no lugar do treinador (expulso durante confusão), reforçou a reclamação. “Temos vários jogadores com muitos hematomas nas pernas, nas costelas, fruto da virilidade, da agressividade não do jogo, de uma equipe que se preocupou em agredir a outra. Essa conversa tem que surgir”, desabafou o auxiliar.

Fora do gramado, Léo Pereira, que não viajou por corte profundo na canela após o duelo com o Atlético-MG, também não se calou. O zagueiro escreveu nas redes sociais: “Que vergonha não dar nem cartão amarelo”, respondendo ao lance de Palácios em Bruno Henrique. A revolta transparecia em cada crítica.

O empate e suas consequências para o Mengão

O resultado manteve o Flamengo na liderança do Grupo A com sete pontos, mas encerrou a sequência de sete vitórias consecutivas na Libertadores. Luiz Araújo havia marcado aos 32 minutos do primeiro tempo, mas Guido Carrillo empatou no segundo tempo após rebote, com o gol confirmado pelo VAR.

A ausência de Arrascaeta, porém, é o maior problema adiante. O uruguaio perderá partidas cruciais: jogos da fase de grupos da Libertadores, rodadas iniciais do Campeonato Brasileiro e, potencialmente, a volta da Copa do Brasil contra o Vitória. Sem o camisa 10, o Mengão terá que reorganizar seu meio-campo nos próximos confrontos.

O próximo jogo é contra o Vasco, neste domingo (3 de maio), às 16h, no Maracanã, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Leonardo Jardim, que levará suspensão automática por invasão de campo, também será desfalque. A Nação rubro-negra terá que aguardar pela recuperação de seus atletas enquanto questiona o padrão de arbitragem que permitiu tanta violência em La Plata.