Bruno Henrique marca golaço e afirma que vitória sobre Vitória afasta crise

Bruno Henrique marcou um golaço e projetou tranquilidade na volta do Flamengo à Vitória. O atacante rubro-negro passou a mensagem de que o triunfo por 2 a 0 sobre o Vitória, conquistado neste domingo no Maracanã pela 22ª rodada do Brasileirão, encerra o ciclo de instabilidade que cercava o clube. A declaração ganhou peso porque vinha de um jogador que conhece os bastidores e o clima dentro da Gávea.

“É claro que quando ganha não está tudo certo, e quando perde não está tudo errado. Então a gente tem que saber lidar com esses momentos, mas, como eu falei, assumir a responsabilidade de todo mundo para a gente alcançar o nosso objetivo final no ano. Então, a palavra que eu deixo é que a gente vai ganhar”, disse Bruno Henrique pós-partida, em tom que soava menos como celebração de vitória e mais como convocação ao comprometimento coletivo.

A fala não era casual. O Mengão vinha acumulando frustrações antes desse confronto. Dois empates consecutivos contra São Paulo e Palmeiras quebraram uma sequência que alimentava dúvidas internas. Enquanto a equipe paulista disparava na liderança do campeonato, o Mais Querido encolhia na tabela. O triunfo sobre o Vitória reduziu a distância para seis pontos, movimento que BH 27 reconheceu como necessário, mas insuficiente sem mentalidade reforçada.

O peso das janelas frustradas

A vitória também vinha em um momento em que o Flamengo enfrentava reveses fora de campo. A janela de transferências se mostrou frustrante. O clube havia depositado esperanças na contratação de Thiago Almada, meia argentino que despertava interesse genuíno na comissão técnica, mas o jogador optou pelo River Plate. Depois, concentrou esforços em trazer Luiz Henrique, atacante do Zenit que escolheu permanecer na Rússia.

Essas duas recusas criaram um vácuo de expectativa que o resultado sobre o Vitória ajudava a preencher. Bruno Henrique parecia consciente dessa dinâmica ao insistir na necessidade de o grupo trabalhar com o que havia, assumindo responsabilidades coletivas em vez de culpar ausências de mercado.

Dedicação que transcende o placar

O gol de Bruno Henrique ganhou dimensão emocional quando o atacante o dedicou. “Quero dedicar esse gol ao meu pai, ao meu avó e a todos os pais da Nação Flamenguista também”, afirmou, em frase que conectava o momento pessoal ao universo rubro-negro mais amplo. Depois completou: “É um jogo muito difícil. Hoje a gente controlou muito o jogo no primeiro tempo e no segundo também”.

A declaração sobre a qualidade da atuação revelava autocrítica. O Mengão teve oportunidades para ampliar o marcador, mas terminou com apenas dois gols. Quando questionado sobre o assunto, BH reconheceu: “Acho que faltou concluir as jogadas em que tivemos a oportunidade, acabamos não concluindo. Mas, graças a Deus, fui feliz no meu primeiro toque ali na bola, acertei um belíssimo chute”.

O intervalo de nove dias sem atuar pesava naquela apresentação. A semana anterior havia sido dedicada a compromissos da Copa do Brasil, competição da qual o Flamengo já estava eliminado. A volta à ação no Brasileirão pedia ritmo, e o 2 a 0 cumpria sua função: reengrenar a máquina antes dos duelos de Libertadores contra o Cruzeiro, já na próxima semana em Belo Horizonte.

Foco dividido entre competições

Sobre a tarefa de conciliar Brasileirão e Libertadores, Bruno Henrique adotou discurso pragmático: “É isso, agora é dar continuidade ao nosso trabalho. Sabemos que a gente tem que pensar na gente, não pensar lá na frente. O campeonato ainda é muito longo e a vitória de hoje dá moral para podermos ir a Belo Horizonte encarar uma grande equipe mais uma vez e fazer um bom jogo”.

A frase sobre “não pensar lá na frente” era recado cifrado: não adiantar conclusões sobre o título antes de resolver problemas presentes. O Flamengo tinha capítulos a escrever no Brasileirão, e a vitória sobre o Vitória era apenas o primeiro deles nessa retomada.

Quando indagado se o clube estava em crise, Bruno Henrique não fugia: “Olha, independentemente do que falarem, a gente tem que assumir as responsabilidades também. Temos um grande time, um grande elenco, e a gente já deu a volta por cima nesses momentos”. A resposta resumia bem a postura rubro-negra naquele domingo — não era negação de dificuldade, era reafirmação de capacidade. O Mais Querido deixava o Maracanã com três pontos e uma mensagem clara: o trabalho permanecia, agora com uma vitória no banco de trás.