O Consórcio Maracanã, gerido por Flamengo e Fluminense, negou nesta segunda-feira (28) o pedido formal do Vasco para enfrentar o Boca Juniors na volta da semifinal da Copa Sul-Americana em 20 de outubro. Trata-se da terceira recusa ao rival em 2026 — antes, o Mengão e o Tricolor vetaram duelos contra Vitória e Palmeiras, ambos pela Copa do Brasil.
A justificativa da administração converge para dois pontos críticos: o desgaste acentuado do gramado e o calendário congestionado de outubro. Nesta mesma segunda, o Maracanã iniciou a troca completa do piso, um dia depois de receber o jogo da NFL. A operação começou com a raspagem do gramado antigo. Em seguida, será instalado novo rolo de grama Bermuda Celebration.
O argumento da sobrecarga é quantificável. Até o fim de setembro, o estádio terá recebido 58 partidas em 2026. Jogadores do Flamengo, como Rossi e Arrascaeta, já reclamaram publicamente das condições do piso. O técnico Leonardo Jardim também criticou o campo nos últimos compromissos.
Calendário de outubro deixa intervalo mínimo de recuperação
O mês que se aproxima evidencia a pressão sobre o gramado. O Fluminense recebe o Palmeiras no dia 14, pela ida da semifinal da Libertadores. Seis dias depois, viria o duelo entre Vasco e Boca Juniors. Na sequência, o Flamengo decide a vaga na final da Libertadores contra o Estudiantes em 22 de outubro, também no Maracanã.
Desse modo, o campo teria apenas dois dias de recuperação antes do confronto rubro-negro. Esse cronograma sustenta justamente o argumento da gestão. A situação ganhou repercussão na semana anterior, quando uma pessoa ligada ao Flamengo antecipou o veto ao portal de notícias especializado.
A decisão contra o Estudiantes não é detalhe menor. O Rubro-Negro obteve a melhor campanha entre os semifinalistas da Libertadores, vencendo cinco dos seis jogos na fase de grupos, eliminando Cruzeiro nas oitavas (3 a 2 no agregado) e Independiente del Valle nas quartas (3 a 1 no total). Por essa supremacia, conquistou o direito de mandar o jogo decisivo em casa.
A Conmebol estipulou prazo para a definição do palco. Pelo regulamento, a entidade exige que o estádio seja confirmado dez dias antes do jogo. Na prática, o prazo final cai em 10 de outubro — data que se aproxima rapidamente com a negativa desta segunda-feira.
Vasco avalia Justiça, mas prefere São Januário ou alternativas
O presidente vascaíno Pedrinho não descarta acionar a Justiça para enfrentar o Boca no Maracanã. Entretanto, a recusa acirrou o incômodo da diretoria. Pedrinho entende que o clube está sendo impedido de exercer um direito, embora tenha sinalizado a pessoas próximas que não vê razão para brigar judicialmente por um tema com acordo firmado.
Uma corrente interna do Vasco defende concentrar esforços em São Januário. O estádio, porém, está vetado pela Conmebol por questão de capacidade. Nas semifinais da Sul-Americana, a entidade exige arenas com pelo menos 30 mil lugares. Na última sexta-feira (25), o presidente vascaíno pediu flexibilidade à Conmebol em entrevista pública:
Vou tentar aumentar o espaço de visitante em São Januário. Tenho uma boa relação com o Riquelme (presidente do Boca). Vamos tentar dar todo o suporte para o torcedor do Boca em São Januário. Peço que o presidente da Conmebol tenha um pouco de flexibilidade e autorize que eu jogue em São Januário.
O Nilton Santos, administrado pelo Botafogo, aparece como alternativa secundária. Contudo, o Boca resiste a atuar em grama sintética, o que reduz essa opção.
Enquanto o Vasco navega por incertezas, o Flamengo e o Fluminense prosseguem com seus compromissos. O Mais Querido aproveita a pausa da Data FIFA. O time volta a campo em 8 de outubro contra o Santos, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro. Três dias depois, o Rubro-Negro reencontra o Maracanã, já com o novo gramado, no clássico contra o Fluminense.
Em seguida, a equipe viaja para a Argentina no dia 15 para enfrentar o Estudiantes pela ida da semifinal da Libertadores. A volta, conforme definido pela Conmebol na semana passada, ocorre em 22 de outubro no Maracanã, às 21h30 — exatamente dois dias após o jogo do Vasco contra o Boca, se a semifinal da Sul-Americana for confirmada para a mesma data no estádio carioca.
A Nação rubro-negra acompanha com atenção os desdobramentos. O Flamengo já conquistou 9,61 milhões de dólares em arrecadação até aqui na Libertadores, liderando entre os semifinalistas, e a semifinal contra o Estudiantes representa a oportunidade de avançar rumo à final e ampliar esses números.
O Consórcio Maracanã aguarda que o Vasco resolva o impasse até 10 de outubro. Até lá, a administração do estádio prosseguirá com a troca do gramado e o planejamento logístico para as competições que se aproximam.

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