O Flamengo se posicionou publicamente contra a Medida Provisória anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (25), que proíbe apostas online no Brasil. Em nota oficial, o clube argumenta que a mudança abrupta do marco regulatório prejudica a segurança jurídica das instituições e ameaça receitas vitais para o futebol.
A crítica é direta: “Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório.” A fala resume a posição do Mengão diante de uma decisão que impactará milhões de reais em seus cofres.
O motivo da preocupação é concreto. O Flamengo mantém contrato com a Betano no valor de R$ 268,5 milhões por temporada até 2028 — o maior patrocínio da história do futebol brasileiro. A empresa, que também patrocina Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Paulistão, afirmou que monitora a discussão com “muita preocupação” e decidirá seus próximos passos no momento apropriado.
Impacto maior que um clube: R$ 1,1 bilhão em jogo
O Mais Querido não fala apenas em seu próprio interesse. O clube alertou que 13 dos 20 times da Série A dependem de patrocínios de casas de apostas como receita máster. Em 2026, essas empresas injetaram aproximadamente R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro — uma cifra que desapareceria com a proibição total.
A regulamentação das apostas esportivas no país foi construída ao longo de anos, com aprovação do Congresso Nacional e regulamentação do governo. O Flamengo enfatiza que esse processo não foi feito às pressas: houve debate, votação e implementação controlada. Reverter isso de forma abrupta coloca em risco não apenas clubes, mas toda uma cadeia econômica que cresceu dentro do marco legal.
A Betano respondeu ao anúncio com cautela, mas sem desistir. A empresa declarou estar monitorando a discussão e tomará decisões no momento apropriado. O recado foi vago o suficiente para não se comprometer imediatamente, mas deixa em aberto possíveis ações judiciais, negociações políticas ou até manutenção dos patrocínios sob outra estrutura legal.
Apostas clandestinas crescerão, alerta o clube
O Flamengo levantou uma questão que especialistas já apontam: proibir empresas legalizadas não elimina apostas. “Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas”, destacou o clube em sua manifestação.
A observação é pertinente. Estudos mostram que restrições abruptas ao mercado regulado tendem a fortalecer operações clandestinas, que crescem sem fiscalização, sem tributação e sem responsabilidade social. O Brasil já possui um mercado ilegal robusto de apostas. Uma proibição total pode transferir bilhões de reais do ambiente legal para o submundo do jogo.
Isso representaria perda fiscal para o governo, menos recursos para clubes e ainda a perpetuação de apostas — apenas sem controle. O risco para a segurança jurídica, portanto, é duplo: afeta quem cumpre a lei e não elimina quem a desobedece.
O anúncio de Lula ocorreu em São Paulo nesta tarde e repercutiu imediatamente na imprensa. O governo sinalizou que pode anunciar ações de amparo aos times após as eleições, sugerindo que reconhece o impacto econômico mas não está disposto a recuar na decisão de curto prazo.
O Flamengo agora aguarda os próximos passos da Betano, das demais casas de apostas e de possíveis articulações políticas no Congresso. A nota do clube deixa claro que não aceitará passivamente uma mudança que viola compromissos já firmados — ainda que a possibilidade concreta de reverter a decisão seja limitada.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.