Enquanto a torcida rubro-negra debatia a quantidade de chutes sofridos no empate com o Vasco por 2 a 2, um número revelava outra história: o Flamengo criou o dobro de gols esperados que os adversários nos últimos cinco jogos do Brasileirão. A estatística inverte a perspectiva imediata e aponta para uma superioridade tática que os números isolados não mostram.
Nos últimos cinco compromissos, o Mais Querido finalizou 77 vezes contra 87 dos rivais. Uma desvantagem em volume que, à primeira vista, reforçaria a crítica sobre o desempenho defensivo. Mas o xG — sigla para gols esperados, métrica que avalia a qualidade das chances criadas — diz algo diferente. O Rubro-Negro acumulou 12.2 de xG, enquanto os adversários somaram apenas 5.56.
A diferença é substancial: o Flamengo criou mais do que o dobro de oportunidades de perigo, apesar de disparar menos bolas. Isso revela que o clube tem sido mais eficiente na transformação do jogo em ameaças reais, concentrando suas finalizações em posições com maior probabilidade de gol.
Sem pênaltis, vantagem se mantém
A questão óbvia surge quando se menciona que alguns dos gols do Flamengo saíram de pênaltis. Remover essas penalidades dos números não muda significativamente o quadro. Sem as cobranças de pênalti, o xG rubro-negro cai para 10.42 nos últimos cinco jogos do Brasileirão. Ainda assim, mantém-se bem acima dos 5.56 dos adversários — uma vantagem de quase duas vezes.
Essa permanência da vantagem mesmo desconsiderando os pênaltis reforça que a superioridade não é construída sobre penalidades, mas sobre a qualidade estrutural das chances criadas. O Mengão tem convertido seu futebol em oportunidades reais com mais consistência que seus rivais.
O caso do Santos: eficiência tática em evidência
A partida contra o Santos no Maracanã é o exemplo mais didático dessa dinâmica. O time paulista finalizou 17 vezes contra 19 do Flamengo — números praticamente equivalentes. Mas no xG, a distância foi gritante: a equipe de Neymar registrou apenas 0.77, enquanto o Rubro-Negro atingiu 2.29.
O resultado final — 3 a 1 para o Mais Querido — refletiu a diferença de qualidade nas chances. O Santos conseguiu finalizar mais vezes, mas suas tentativas vieram de posições com menor probabilidade de conversão. O Flamengo, por sua vez, concentrou sua artilharia em áreas de maior risco.
Esse padrão não é exceção. Ele revela um método tático onde o clube prioriza a penetração com propósito, em vez de quantidade bruta de chutes. A construção de jogadas é orientada para criar oportunidades em zona de alto risco, não para acumular disparos indiscriminados.
O contexto do empate com o Vasco ganha nuance diferente com esses dados. Sim, o Rubro-Negro sofreu 13 finalizações dos adversários. Mas criou condições ofensivas desproporcionalmente superiores. A questão não é apenas defender melhor — é que o Flamengo está gerando um potencial ofensivo que, historicamente, deveria resultar em mais gols que o rival.
Esse tipo de análise é fundamental para entender se o desempenho defensivo representa falha estrutural ou se a defesa está encarregada de um volume maior porque o ataque rubro-negro está funcionando. Nos últimos cinco jogos do Brasileirão, a resposta parece clara: o Flamengo está criando muito mais que perdendo em eficiência.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.