Flamengo e Grêmio nunca se enfrentaram: veja os 126 jogos que definem este clássico

O Flamengo enfrenta o Grêmio neste domingo, às 19h30, em Porto Alegre, pela Série A. Não será um primeiro jogo — será o 127º encontro entre as duas equipes. Mas para quem acompanha a torcida rubro-negra desde as primeiras décadas, um detalhe surpreende: os dados coletados pela historiografia do confronto mostram um equilíbrio notável entre as forças, com leve vantagem flamenguista nos momentos que mais importam.

Segundo a compilação histórica dos confrontos, foram 126 jogos até hoje: Flamengo com 44 vitórias, Grêmio com 42 e 40 empates — um total de 317 gols entre as equipes. Parece pouco para quem conhece a intensidade deste duelo. O primeiro encontro oficial aconteceu em 9 de setembro de 1937, em Porto Alegre, e terminou 1 a 1 no estádio da Baixada. Quase noventa anos de história que moldaram um clássico interestadual tão relevante quanto qualquer outro na bola brasileira.

Os números que revelam o domínio rubro-negro nos momentos que importam

O balanço geral é apertado — apenas duas vitórias de diferença favorecem o Mais Querido. Mas quando se analisa o que chamam de mata-matas — os confrontos eliminatórios em competições de sorte — a história muda de figura. O Flamengo classificou-se 9 vezes contra 6 do Grêmio nessas 15 decisões diretas registradas. Quer dizer: nos lances que valem vaga, título ou eliminação, o Mengão saiu na frente com frequência.

A final do Campeonato Brasileiro de 1982 encarna bem isso. O Flamengo sagrou-se campeão ao vencer por 1 a 0 no jogo de desempate em Porto Alegre. Não foi apenas um resultado; foi uma coroação. Quatro décadas depois, em outubro de 2019, o Flamengo devolveu a mensagem com brutalidade.

O 5 a 0 de 2019 e a goleada de 1989: contrastes que definem o clássico

Semifinal da Copa Libertadores, volta no Maracanã, 23 de outubro de 2019. O Flamengo despedaçou o Grêmio por 5 a 0. Gabriel Barbosa, Gabigol, foi a estrela da noite. O Maracanã recebeu 69.981 pagantes para assistir àquela exibição de força. Três décadas antes, porém, o Grêmio havia infligido um sofrimento semelhante ao Flamengo: em 19 de agosto de 1989, pela Copa do Brasil, o time gaúcho venceu por 6 a 1. Até hoje, a maior goleada histórica do Grêmio contra o rival carioca.

Esses extremos — 6 a 1 para Porto Alegre e 5 a 0 para o Rio — mostram que não há margem para mornidão neste clássico. Quando um dos lados encontra ritmo ofensivo, o outro sofre proporcionalmente.

A Copa Libertadores de 1984 é outro exemplo marcante. Em 26 de junho, o Grêmio goleou por 5 a 1 em Porto Alegre. O Flamengo respondeu com 3 a 1 no Rio. Mas o duelo foi decidido em jogo de desempate em São Paulo, que terminou 0 a 0 — e o Grêmio avançou. Mata-mata que o Grêmio venceu, mas que deixou claro o quão próximas estavam as forças.

Público e memória: a dimensão do clássico

Os números de público revelam a magnitude histórica deste embate. O maior público registrado no clássico no Maracanã foi em 18 de abril de 1982, quando 138.107 torcedores presenciaram Flamengo 1 x 1 Grêmio. Quatro décadas depois, o Maracanã ainda ferve para duelos entre cariocas e gaúchos. É um clássico que transcende placar e competição — é peso de história.

O Grêmio, fundado em 15 de setembro de 1903, é um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro. Tricampeão da Copa Libertadores (1983, 1995 e 2017) e bicampeão da Copa Intercontinental (1983), o time gaúcho chega a este jogo sob comando de Luís Castro, técnico contratado em dezembro de 2025. O atacante Tetê foi anunciado como reforço em janeiro de 2026. A Arena do Grêmio, estádio-sede desde 2013, será o palco de um novo capítulo dessa rivalidade que resiste e se reinventa.

Ronaldinho Gaúcho, figura que conecta os dois mundos, começou carreira no Grêmio em 1998 e, anos depois, vestiu a camisa rubro-negra em 2011. Não é apenas coincidência: é sintoma de como esses clubes vivem em órbitas próximas do futebol nacional, alternando momentos de ascensão e queda, sempre se reencontrando nas competições que mais importam.

Este domingo, o Flamengo busca ampliar uma vantagem que se manifesta especialmente nos momentos críticos — naqueles 9 mata-matas contra 6 do adversário. O duelo de Porto Alegre pode escrever mais um parágrafo em 126 anos de história que a Nação rubro-negra já conhece bem.