De 0-3 para sete vitórias: a reação do Flamengo após goleada do Bragantino

A goleada sofrida contra o RB Bragantino por 3 a 0, em 2 de abril, foi um balde de água fria no Mengão. Foi a primeira derrota de Leonardo Jardim à frente do time, quebrando uma invencibilidade até então intocável. Pior: foi a primeira vez em quase dois anos que o Flamengo perdia por três gols de diferença. O resultado em Bragança Paulista doeu.

Mas o que viria depois seria completamente diferente. Desde aquele tropeço, o Mais Querido emendou sete vitórias consecutivas que reescreveram a história do trabalho de Jardim no clube. Não foi reação precipitada em jogo de Copa ou contra equipe menor — foi série contínua, envolvendo adversários variados e competições diferentes.

Os números falam sozinhos: 19 gols marcados e apenas 4 sofridos em sete partidas. Média de 2,71 gols por jogo e apenas 0,57 concedidos. A defesa virou fortaleza enquanto o ataque despertava.

Sete vitórias que começaram logo depois da queda

Três dias após Bragança Paulista, o Flamengo recebeu o Santos e venceu por 3 a 1. Depois vieram Cusco FC (2 a 0 na Libertadores, em jogo marcado por preparação especial para altitude com hotel pressurizado), Fluminense (2 a 1), Independiente Medellín (4 a 1 na Libertadores), Bahia (2 a 0), Vitória (2 a 1 na Copa do Brasil) e, no último sábado, Atlético-MG (4 a 0).

Essa sequência não ficou restrita a um torneio. Atravessou Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil — competições e exigências variadas. Provou que a virada não era superficial ou dependente de agenda fraca.

A vitória sobre o Atlético-MG, em particular, selou um recorde para Jardim no Flamengo. Com o triunfo sobre o Vitória em 22 de abril, o técnico havia igualado a melhor série de Filipe Luís (6 vitórias). No sábado, com a goleada de 4 a 0, alcançou sete — superando a marca recente do antecessor e se aproximando de referências históricas como as 10 vitórias de Jorge Jesus ou o recorde de 12 de Cláudio Coutinho.

O que mudou no dia a dia

Jardim elogiou a proposta ofensiva do time após a goleada sobre o Atlético-MG e destacou especialmente a integração de peças como Plata ao elenco. Não era ajuste desesperado — era refinamento de um projeto que começava a aparecer com consistência.

Os jogadores também sinalizaram a reação interna. Samuel Lino enalteceu a união do grupo e o trabalho da comissão técnica após o triunfo mineiro. A goleada do Bragantino, em vez de desmontar, pareceu colar o elenco ao redor de um propósito comum.

Até mesmo os detalhes operacionais viraram diferenciais. A vitória sobre o Cusco, jogada em altitude, foi precedida de medidas específicas — hotel pressurizado e apoio médico com oxigenação — que repórteres apontaram como fator relevante para o desempenho. Jardim cobrava eficiência em tudo.

A derrota em Bragança Paulista teve um episódio que marcou: confusão ao apito final com empurrões entre Vinicinho e De la Cruz, intervenção de membro da comissão e declaração do goleiro Rossi dizendo que defendeu os companheiros. Naquele momento, pareceu isolado. Hoje, apenas um ponto de inflexão antes de uma sequência que redefine a temporada da Nação rubro-negra.

A série de sete vitórias não apaga a goleada sofrida, mas a transforma. Deixa de ser símbolo de fragilidade e vira marcador de quando o Flamengo virou a chave com Jardim. E os números dessa reação — 19 gols, apenas 4 sofridos, rivais de peso derrotados, competições diferentes — sustentam a narrativa de que o time não apenas se recuperou. Evoluiu.