Gonzalo Plata completa trio histórico: Flamengo em três Copas consecutivas

O gol de Gonzalo Plata garantiu mais que a classificação do Equador para a fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026. Marcou, também, um lugar na história do Flamengo — e não apenas pessoal. Com o tenho do equatoriano, o Mengão virou a única equipe brasileira com jogadores marcando em três edições consecutivas do torneio: 2018, 2022 e 2026.

Esse feito conecta o momento presente do atacante rubro-negro ao legado de um clube que conquistou 21 gols em oito Mundiais. Nem todos os times têm esse privilégio. Ter atletas que marcam de forma regular — em torneios seguidos — é marca de consistência que poucos conseguem manter.

O trio de marcadores que liga três Copas

A sequência começa em 2018 na Rússia. Paolo Guerrero, então pelo Flamengo, marcou pela seleção peruana e deixou sua marca em solo russo. Quatro anos depois, na Copa do Catar, Arrascaeta apareceu duas vezes pela seleção do Uruguai. O meia rubro-negro fez gols que pesaram direto: ambos contra Gana, em partida que abriu caminho para os uruguaios avançarem no torneio.

Agora, em 2026, Plata completa o ciclo. O gol do equatoriano teve impacto direto na classificação de sua seleção. E com essa marca, o Flamengo se distinguiu de todos os demais clubes brasileiros que tentaram manter essa sequência ininterrupta.

A confirmação é taxativa: nenhum outro clube do Brasil conseguiu colocar marcadores nas três últimas edições de uma Copa do Mundo. Botafogo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras — nenhum deles tem esse registro. O Mais Querido ficou sozinho com essa honra.

Os artilheiros do Mengão em Copas do Mundo

Quando se olha para a lista completa de gols do Flamengo em Mundiais, Leônidas emerge como figura central. O atacante que defendeu o clube na década de 1930 carrega consigo sete gols marcados na Copa de 1938, um recorde que resiste ao tempo. Zico, ídolo da Nação rubro-negra, anotou cinco gols em sua participação em três Mundiais — 1978, 1982 e 1986.

A partir daí, a lista se distribui entre nomes que deixaram sua marca em momentos específicos. Moderato e Sócrates, cada um deles, marcaram duas vezes. Sócrates, em particular, traz memória inesquecível: foi dele o gol de abertura na goleada de 4 a 0 sobre a Polônia, no Estádio Jalisco, em Guadalajara, durante a Copa de 1986.

Zagallo e Júnior, ambos lendas da camisa rubro-negra, marcaram uma vez cada. E agora, Guerrero e Plata entram para esse seleto grupo: um gol em Mundiais que carrega peso de representação, de legado, de conexão histórica.

Ao todo, o Flamengo acumula 21 gols marcados por esses oito nomes em Copas do Mundo. Não é número trivial. Representa décadas de participação consistente, de atletas que chegaram aos palcos maiores do futebol e deixaram sua marca.

O jejum da seleção brasileira e a volta pelo outro caminho

Há uma lacuna que chama atenção no histórico. O último gol de um jogador do Flamengo pela seleção brasileira em uma Copa do Mundo foi justamente o de Sócrates, em 1986. Quarenta anos se passaram. Quarenta anos sem um rubro-negro marcar com a amarela em solo de Mundiais.

Esse vácuo contrasta com a regularidade que o clube mantém quando seus atletas vestem seleções estrangeiras. Enquanto a seleção brasileira não deu oportunidades recentes a flamenguistas de peso para marcarem em Copas, a equipe equatoriana abriu caminho para Plata. O Uruguai confiou em Arrascaeta. O Peru apostou em Guerrero.

O fato ressalta uma dinâmica do futebol moderno: o Flamengo continua fornecendo talentos a competições globais, mas através de rotas inesperadas. A história do clube em Copas não terminou. Apenas mudou de endereço — e, por enquanto, de bandeira.

Com Plata consolidando seu nome entre os marcadores rubro-negros em Mundiais, a próxima janela de transferências deve servir como teste de valor. O gol na Copa elevou o mercado do equatoriano. Avaliações apontam para ofertas próximas aos 15 milhões de euros, valor que reflete não apenas a performance recente, mas o potencial que o Flamengo enxerga no jogador que chegou por 53 milhões de reais e se torna referência em competições de primeira magnitude.