Do final dos anos 50 até metade da década de 70, o sonho número 1 do torcedor de qualquer clube brasileiro era claro: ver Pelé vestindo a camisa de seu time de coração. Esse desejo nunca se tornou realidade durante o auge da carreira do Rei do Futebol, com o Santos nem cogitando abrir mão do melhor jogador de todos os tempos. Resistindo, inclusive, a ofertas de clubes estrangeiros. Depois que Pelé decidiu se aposentar dos gramados, a torcida do clube mais popular do país conseguiu realizar esse sonho. Por, pelo menos, uma noite.
Há exatos 40 anos, em 6 de abril de 1979, o Rei entrou em campo com a camisa 10 do Flamengo no Maracanã. O motivo era nobre: Pelé aceitou o convite para participar de um jogo amistoso contra o Atlético-MG. A renda seria revertida para as vítimas da chuvas que atingiram Minas Gerais, o seu estado natal, em janeiro e fevereiro daquele ano, deixando 246 mortos e milhares de desabrigados.
Para ver de perto aquele jogo único, 139.953 torcedores pagaram ingresso, gerando uma renda de mais de 8 milhões de cruzeiros.
Em 1979, Zico cede a camisa 10 do Flamengo para Pelé, e time goleia Atlético-MG
Como convidado de honra, Pelé recebeu a camisa 10 de Zico, que entrou em campo com a 9. Mas o Atlético não se intimidou com a presença do Rei do Futebol e abriu o placar aos 21 minutos com um gol de Marcelo (Oliveira, hoje treinador).
Aos 38 anos, um ano e meio depois de ter se despedido do futebol, pelo Cosmos, Pelé mostrou ainda estar em boa forma e se movimentou bem, fazendo tabelinhas com Zico e Tita.
Aos 35 minutos, o árbitro Walquir Pimentel marcou pênalti de Luisinho em Tita. A torcida explodiu. Afinal, veria Pelé marcar um gol com a camisa do Flamengo. Com o coro do Maracanã por Pelé, Zico chegou a pegar a bola e oferecê-la ao tricampeão mundial. Dez anos antes, em novembro de 1969, naquele mesmo estádio, com a 10 do Santos, o Rei havia cobrado um pênalti que entrou para a história: o lance que se tornou o seu milésimo gol, no jogo contra o Vasco. Mas naquela noite de abril de 79, o Rei abdicou, deixando a missão da cobrança para o Galinho. Com a 9, Zico empatou o jogo.
Pelé deixou a partida no intervalo, para a entrada de Luisinho das Arábias. Curiosamente, sem o Rei, o Flamengo dominou a partida na segunda etapa e marcou mais quatro gols – dois de Zico, um de Luisinho e outro de Cláudio Adão. Placar final: Flamengo 5 x 1 Atlético-MG.
Mas o mais lembrado naquele noite pelos quase 140 mil torcedores que pagaram ingresso não foi o resultado nem os três gols de Zico. Mas sim a oportunidade única de ver o Rei do Futebol jogar pelo clube de maior torcida do país.
Flamengo 5 x 1 Atlético-MG
Data: 6 de abril de 1979
Local: Maracanã
Público: 139.953 pagantes
Renda: CR$ 8.781.290,00
Árbitro: Walquir Pimentel
Auxiliares: José Carlos Moura e Roberto Coelho
Gols: Marcelo (21 do primeiro tempo), Zico (35, 10 e 14 do segundo tempo), Luisinho (28) e Cláudio Adão (39)
Flamengo: Cantarelli, Toninho, Rondinelli (Nelson), Manguito e Júnior; Andrade, Carpeggiani (Ramirez) e Pelé (Luisinho); Tita, Zico (Cláudio Adão) e Júlio César (Reinaldo). Técnico: Cláudio Coutinho
Atlético-MG: João Leite, Alves, Osmar, Luisinho e Hilton Bruniz; Toninho Cerezo, Marcelo (Carlinhos) e Paulo Isidoro; Serginho (Pedrinho), Dario e Ziza (Vilmar). Técnico: Procópio Cardoso
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