Erros, opções e incompetência
Foi bonita a festa, pá! Mosaico, 72 mil pessoas no Maracanã. Eu estava confiante e, diria, até tranquilo.
Porém, meu semblante mudou logo nos primeiros dez minutos de jogo. Via-se um Estudiantes pressionando e abusando da violência, até então não coibida pelo assoprador de apitos. Quando o Flamengo conseguiu encaixar seu jogo, Pedro finalizou torto e Carrascal lembrou que é alérgico a gol fácil e nem se dignou em se esticar até a bola. Noutra chance, para nosso tremendo azar, a bola caiu nos pés de Emerson Royal, jogador que não sabe fazer nada além do beabá e, pior, ainda o faz mal e porcamente.
Na melhor chance do jogo, já no segundo tempo, Plata fez a opção errada. Ou cabeceava por cima do goleiro, que já tinha saído para fechar o ângulo, ou tocava de cabeça pro meio, onde dois jogadores nossos entravam. Aliás, essa chance só surgiu porque o Jardim corrigiu a rota errada: deslocou o Paquetá para sua melhor posição, tirou um inoperante Carrascal e colocou o Plata e o Arrascaeta em campo, cujo retorno foi o único ponto positivo da partida. Só que Jardim demorou muito para mexer e fazer essa correção. Perdemos tempo por nossa própria culpa.
Vejam que o que mais me impressionou foi justamente a incapacidade do Flamengo de criar chances de gol. De sair do básico. Foram apenas três chances claras em 180 minutos de confronto contra o Estudiantes, time que já havíamos vencido na fase de grupo e na Libertadores do ano passado. Assim, pergunto: não teria Leonardo Jardim capacidade de enfrentar o mesmo adversário quatro vezes e não conseguir montar um esquema capaz de penetrar na defesa fechada, sem ser no chuveirinho? Ora, foi para isso que demitiram o Filipe Luís?!
Bato na mesma tecla que venho batendo nos últimos meses: para um time que precisa criar dez chances para, enfim, fazer gol, dificilmente sairíamos vitoriosos em um jogo onde nada criamos e abusamos do chuveirinho, todos na mão do Muslera. Todos!
E aí fomos para os pênaltis, que foi a parte da desclassificação que menos me incomodou, apesar de eu ter ficado muito indignado com o Paquetá. Nisto, vou falar algo que me dói falar: às vezes, eu gostaria que esse Flamengo fosse menos Flamengo, fosse menos eficiente e mais eficaz. A principal diferença é que a eficácia está ligada ao resultado alcançado, enquanto a eficiência está ligada ao modo de fazer. O Flamengo é eficiente. O Palmeiras é eficaz. Reparem como o Flamengo bateu seus pênaltis e como o Palmeiras bateu os seus, no dia anterior: todas as nossas cobranças erradas foram à meia altura, fraca, no canto direito do goleiro. Até o Jorginho perdeu. Por sua vez, os palmeirenses enchiam o pé, seja no canto ou no meio do gol. Não sou jogador profissional, mas acho que a coisa mais fácil do futebol é bater pênalti.
Dito isso, é vida que segue. Prosseguimos no Brasileirão e, ano que vem, tem mais Libertadores. Volto a dizer: ainda seremos os maiores campeões desse continente.
Na Bahia teve baile!
Se a quinta-feira trouxe um gosto amargo, o domingo nos reservou uma alegria. Gostei muito da vitória do Mengo sobre o Bahia. Até porque, confesso, eu estava receoso para esse jogo, achando que os jogadores estariam com a cabeça no Estudiantes. Ledo engano! Já faz algum tempo que o time sabe virar a chave e se concentrar.
No intervalo do jogo, quando a partida ainda estava 0x0 e havíamos perdido um caminhão de gols, fiquei com um sentimento dúbio: o receio de um tropeço diante de um jogo que se revelava até fácil (ou que transformamos em um jogo fácil) versus a certeza de que, mantida aquela toada, os gols viriam e a vitória sairia.
E como saiu! Jorginho, sempre de pênalti e com pulinho, em uma jogada iniciada pelo Pedro; Plata, em cabeceio difícil, após belo passe do Lino; e Paquetá, em um golaço, que dispensa apresentações. Carrascal e Pedro, apesar de terem perdido seus gols, também jogaram bem. Enfim, com exceção de alguns quase-vacilos da defesa, o time todo foi bem contra o Baêa!
Se o Palmeiras foi, de novo, eficaz e letal em uma partida em que não entrou como favorito – embora nunca devemos duvidar da capacidade do Sinthetico Paranaense de frustrar –, nós demonstramos que a briga pelo título seguirá até o final, ponto por ponto.
Até porque essa é a única coisa que nos restou em 2026.
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.