Jorginho admite que pressão no Flamengo supera a de qualquer clube europeu

A pressão no Flamengo supera a de qualquer clube europeu que Jorginho já passou. A revelação foi feita durante entrevista à RomárioTV, na qual o volante comparou a intensidade emocional de vestir a camisa do Mengão com a experiência vivida em Napoli, Chelsea e Arsenal.

Questionado por Romário sobre qual lugar concentra maior pressão, o camisa 21 não hesitou. “Na Seleção, sim. Na Seleção a pressão acaba sendo maior. Mas dos clubes não tem nem comparação. A pressão do Flamengo é maior do que todas elas. A que chegou mais perto é a do Napoli. Napoli é bem parecido com o Rio de Janeiro”, disse o jogador, horas após contribuir com assistência para o gol de Samuel Lino na vitória sobre o Botafogo no domingo.

Gramados ruins e sintético bom: o que irrita Jorginho

Além da questão psicológica que envolve jogar no Brasil, Jorginho apontou uma dificuldade concreta: a inconsistência dos campos de jogo no Brasileirão. O volante criticou a falta de padrão e chegou a preferir um gramado sintético em bom estado a um campo natural em péssimas condições.

“Alguns campos não têm padrões. A gente joga num campo bom, três dias depois tem uma viagem longa, com campo ruim. Os campos tiram muito a paciência”, reclamou. Quando questionado sobre a escolha entre sintético ou natural, foi direto: “Óbvio que eu prefiro normal. Mas entre o campo normal horrível e um sintético bom, prefiro o sintético”.

A reclamação ganha peso na atualidade. O Flamengo mantém a segunda posição no Campeonato Brasileiro com 48 pontos, mas segue atrás de rivais. A visita ao Mirassol, marcada para 2 de setembro no Maracanã, representará novo teste sob condições que podem variar bastante em relação ao que o volante está acostumado na Europa.

A escolha entre Flamengo e Palmeiras

Jorginho também revelou detalhes de sua volta ao Brasil. Após passagens de sucesso pelo futebol europeu — onde conquistou a Eurocopa com a Itália e o Mundial de Clubes com o Chelsea — o volante recebeu propostas tanto do continente quanto do país. No Brasil, quem chegou perto foi o Palmeiras.

“Antes de eu fechar com o Flamengo, alguns clubes da Europa me procuraram, do Brasil também. Mas o Flamengo estava na frente. No Brasil foi o Palmeiras. Na Europa, times que não disputam títulos me ligaram, mas eu queria sentir isso de novo, estar em alto rendimento, pressão. O Flamengo foi a escolha perfeita”, explicou o jogador.

A decisão reflete o que o camisa 21 buscava: um ambiente onde pudesse manter o ritmo e a intensidade competitiva. A escolha pela Nação rubro-negra em lugar do Palmeiras também sinalizou onde ele enxergava o maior desafio — e maior prestígio — no futebol brasileiro.

Arrascaeta em uma prateleira bem alta

Romário aproveitou a entrevista para colocar Arrascaeta em xeque. Perguntou a Jorginho qual o tamanho do meia-atacante em um ranking de companheiros que já dividiu vestiários. O volante não quis fazer hierarquias numéricas, mas foi além: colocou o uruguaio entre os melhores talentos que conheceu.

“Coloco o Arrascaeta em uma prateleira bem alta. Estou comparando com Hazard, com Kovacic, Kanté, de gente muito grande que fez muito para o futebol. Mas o Arrascaeta tem qualidade para estar ali”, respondeu Jorginho. A avaliação ganha contorno especial se considerada recentemente: Arrascaeta já havia publicado nas redes sociais que assumiu parte da responsabilidade pela derrota do Mais Querido por 2 a 1 para o Cruzeiro, no Mineirão, quando Pedro abriu o placar em assistência do próprio uruguaio.

A capacidade de autocrítica de Arrascaeta, aliás, caminha na mesma direção do que Léo Ortiz demonstrou após a vitória sobre o Botafogo. O zagueiro não se contentou em comemorar os três gols: fez autocrítica pela queda de rendimento no segundo tempo. “Feliz com a vitória, mas não 100% com a atuação”, resumiu à época.

Jorginho finalizou a entrevista com uma análise clara: entre os talentos europeus de dimensão com quem conviveu, Arrascaeta merecia estar no mesmo patamar. A qualidade técnica e competitiva do elenco rubro-negro segue sendo apontada pelo volante como diferencial — tanto quanto a pressão que o envolvem.