José Boto encerrou de forma contundente qualquer especulação sobre o interesse do Flamengo em contratar Luiz Henrique. Em entrevista à ESPN, o diretor de futebol do Mengão foi direto: “Nós nunca quisemos o Luiz Henrique”. A declaração marca o fechamento de um tema que circulou entre a Nação rubro-negra durante a atual janela de transferências e que, segundo o próprio Boto, nunca representou prioridade real para o clube.
O que Boto deixou claro é que, embora uma proposta tenha chegado às mãos do Flamengo, o clube da Gávea entendeu desde o princípio que não era aquele o caminho. “Houve uma possibilidade que nos foi apresentada por gente próxima a ele”, explicou. Pessoas ligadas ao atacante ofereceram a oportunidade em condições que, à primeira vista, pareciam atrativas: valores e prazos de pagamento que causaram interesse inicial no departamento de futebol rubro-negro.
O ponto de inflexão na negociação veio quando o Flamengo decidiu conversar diretamente com o Zenit, clube detentor dos direitos de Luiz Henrique. Foi nesse momento que as engrenagens do negócio travaram. “Depois, quando falamos com o Zenit, nada daquilo era verdade”, revelou Boto. As informações fornecidas pelo time russo contradiziam completamente aquilo que havia sido apresentado por intermediários. As inconsistências foram determinantes para a retirada imediata do Mengão da negociação.
Os valores e o limite orçamentário
Mais além da questão das informações conflitantes, Boto reforçou o aspecto financeiro como motivo central para o encerramento da tratativa. O presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) havia estabelecido um teto orçamentário de 25 milhões de euros para qualquer possível contratação de Luiz Henrique. O Zenit, por sua vez, exigia 30 milhões de euros fixos acrescidos de 5 milhões em bônus variáveis — cifras que extrapolavam significativamente o limite definido pela cúpula do clube.
A postura de Boto reflete uma diretriz clara do Flamengo nesta janela: responsabilidade financeira não é negociável. “Por esses valores, por esse prazo de pagamento, é impossível, por uma questão de responsabilidade financeira, o Flamengo fazer isto”, afirmou o diretor. Essa frase resume a filosofia que tem guiado as decisões de mercado do Mais Querido nos últimos períodos, especialmente após a chegada de Boto para estruturar o departamento de futebol.
O contexto em que essa negociação se desenrolou é importante. Pouco antes, o Flamengo havia perseguido Thiago Almada com afinco. O meia-atacante era prioridade absoluta. Boto havia falado em entrevista anterior que a janela seria diferente, com a intenção de trazer “jogadores um pouco menos conhecidos e mais baratos”. Almada representava exatamente esse perfil: jovem, com projeção internacional, em condições que permitissem negociação estruturada. Mas o próprio jogador mudou as condições no fim do processo, preferindo permanecer em Buenos Aires.
O plano de reforços alterado
Com o insucesso em Almada e, posteriormente, com a desistência de Luiz Henrique, o Flamengo redirecionou seus esforços. Nos últimos dias, o clube anunciou a chegada de Joaquín Freitas, de 19 anos, e Anthony Valencia, de 23 anos. Ambos chegam com a ideia de agregar juventude e potencial de desenvolvimento ao elenco. A dupla representa justamente aquele tipo de perfil que Boto havia mencionado: jogadores jovens com projeção para o futuro, que pudessem contribuir imediatamente, mas cujo protagonismo real seria esperado para os próximos anos.
Boto deixou claro que esse é o tipo de investimento que faz falta no Flamengo atual. Segundo ele, o clube possui um elenco qualificado, mas precisava de peças que trouxessem renovação e possibilidades futuras. A contratação de Freitas e Valencia alinha-se perfeitamente com esse raciocínio. Não eram grandes nomes de mercado, mas escolhas refletidas que atendiam aos critérios orçamentários e estratégicos estabelecidos pela diretoria.
A declaração de Boto marca também o encerramento oficial de um episódio que gerou bastante circulação entre torcedores e comentaristas. O Mengão não apenas saiu da negociação: saiu de forma esclarecedora, explicando os motivos técnicos e financeiros que levaram ao desfecho. Isso reduz o espaço para especulações futuras sobre o assunto e reafirma o discurso institucional de que não houve, de fato, interesse estruturado em Luiz Henrique desde o primeiro momento.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.