Léo Pereira: do atacante do Trieste ao zagueiro vencedor do Flamengo

Nem sempre Léo Pereira foi zagueiro. Nas categorias de base do Trieste, o defensor que hoje defende o Mengão começou a carreira como atacante, marcando gols e impressionando com seu toque de bola. A transformação que o levaria a se consolidar como um dos melhores defensores do Brasil aconteceu gradualmente, guiada por profissionais do clube paranaense que perceberam onde seu potencial real residia.

Ricardo Vargas, coordenador do Trieste, revelou detalhes dessa metamorfose. “O Léo Pereira chegou aqui de meio campo e atacante. Ele jogava muito nessa época de atacante. E gostava muito. Fazia gols e tinha uma parte técnica boa”, explicou Vargas em entrevista à TMC Paraná. Aos 12 ou 13 anos, Léo atingiu uma curva de desenvolvimento muito alta, chamando atenção dentro da base triestina.

Mas o coordenador enxergou algo além: “Começamos a convencer ele a jogar mais atrás. Percebemos que se continuasse de atacante, não teria tanto sucesso. Aos poucos virou volante, lateral e chegou a ser zagueiro se destacando mesmo mais novo”. A aposta foi certeira. Léo descobriu sua posição definitiva e construiu uma carreira que o levaria muito além do Trieste.

De Curitiba ao Flamengo: a consolidação no topo

Em 2020, o Flamengo desembolsou 7 milhões de euros (cerca de R$ 34,2 milhões) para trazer Léo Pereira do Athletico-PR. Não era um nome desconhecido — o zagueiro já tinha passagem pelo futebol paranaense e vinha evoluindo como defensor. Ninguém, porém, imaginava que ele se tornaria um dos pilares da defesa rubro-negra pelos próximos anos.

Em sete temporadas consecutivas, Léo Pereira se consolidou como titular absoluto. O número de jogos impressiona: 314 partidas com a camisa do Mais Querido, marcando 19 gols e contribuindo com seis assistências. Esses números refletem não apenas presença, mas consistência de um jogador que raramente sai do time quando está disponível.

O reconhecimento veio natural. Para muitos torcedores rubro-negros, Léo Pereira é considerado ídolo — aquele tipo de jogador que ganha confiança com o tempo, que melhora a cada temporada, que você sabe em quem pode contar. As críticas do início de sua trajetória no clube ficaram para trás, substituídas por admiração.

Palmarés que honra ídolos históricos

Quando o assunto é títulos, Léo Pereira subiu ao topo das listas. Com 15 conquistas pelo Mengão, ele fica atrás apenas de Arrascaeta e Bruno Henrique, ambos com 18 títulos. O zagueiro superou ídolos históricos como Zico, Júnior e Gabigol, cada um com 13 troféus.

Esse número não é mero acúmulo. Reflete presença em momentos decisivos, em campanhas vitoriosas, em jogos que importam. Léo esteve lá quando o Flamengo conquistava Brasileirões, Copas do Brasil, Libertadores, Recopa Sul-Americana. O defensor é arquivo vivo de vitórias rubro-negras.

A evolução de um atacante do Trieste para um dos defensores mais vencedores da história recente do Flamengo não é acaso. É resultado de uma leitura correta de talento feita no interior do Paraná, de coragem em mudar de posição, de profissionalismo em se dedicar ao novo desafio.

Seleção, renovação e recusas milionárias

Léo Pereira também vestiu a Amarelinha. Integrou o elenco da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, mesmo sem conquistar titularidade na Seleção. A presença no Mundial destaca como sua carreira ascendeu, contrastando com o período de incertezas no início do caminho rubro-negro.

No plano contratual, José Boto, diretor de futebol do Flamengo, já deixou claro a intenção de renovar com Léo Pereira. O zagueiro foi colocado na fila de prioridades logo após Pedro, demonstrando a importância que o clube confere ao defensor.

Essa confiança tem preço. O Flamengo já recusou propostas de clubes europeus, como o Besiktas, que oferecia cerca de 10 milhões de euros (aproximadamente R$ 59 milhões) pelo jogador. A recusa deixa claro: para o Mengão, Léo Pereira é inegociável neste momento.

Nesta quinta-feira, 10 de setembro, Léo Pereira deve estar em campo novamente como titular. O Flamengo enfrenta o Independiente del Valle no Equador, a partir das 21h30, em Quito, no Estádio Olímpico Atahualpa, pela ida das quartas de final da Libertadores. Um jogo onde sua liderança defensiva será essencial — e onde sua história de transformação continuará a ser escrita.