Lucas Paquetá marcou na vitória por 2 a 1 contra o Corinthians neste domingo (13) e chegou a 11 gols em 2026. O número é surpreendente não porque o meia raramente marca — mas porque supera atacantes de clubes rivais e recebe o peso de uma posição que não é a sua.
Na artilharia do futebol brasileiro, Paquetá aparece à frente de nomes como Vitor Roque (Palmeiras, 8 gols), Hulk (Fluminense, 10 gols) e Arthur Cabral (Botafogo, 9 gols). Spinelli, do Vasco, tem 7 gols. A comparação revela mais do que um acúmulo de números: diz respeito ao que o meia consegue agregar ao Mengão sem ser o principal responsável pela função de atacante.
O desempenho incomum de um meia-volante
Dentro do esquema de Leonardo Jardim, Paquetá atua como meia e também como volante. Essa dupla função poderia limitar seu poder de finalização, já que parte de sua energia vai para recuperação e distribuição de jogo. Mas o contrário aconteceu: ele virou uma arma tática inesperada, um elemento surpresa que aparece em momentos decisivos para completar jogadas ou abrir o placar.
Para Jardim, essa performance oferece flexibilidade. O técnico português não precisa depender exclusivamente de um centroavante. Paquetá fornece uma opção extra de gol, fazendo o ataque funcionar com mais alternativas. Quando outros setores contribuem para o placar — e não apenas a ponta —, a defesa adversária fica mais confusa, não sabe se marca mais apertado ou abre espaço.
Essa multiplicidade é rara em meias-volantes. A maioria dos jogadores que atuam nessa posição oferece segurança defensiva e toque de bola. Gols costumam aparecer como bônus, não como característica central. Paquetá transformou o bônus em rendimento regular.
A liderança conquistada sobre a taça do Corinthians
A vitória sobre o Corinthians levou o Flamengo a 57 pontos no Brasileirão, consolidando a liderança. O Palmeiras, segundo colocado, tem 56 pontos. Esse resultado não é apenas numérico: vencer um rival histórico e direto na briga pelo título em uma fase decisiva carrega peso simbólico, especialmente com o gol de um homem que não deveria ser o artilheiro do time.
Paquetá marcou em um momento em que o Rubro-Negro precisava garantir três pontos. Não foi um gol de artilheiro puro, aquele em que o jogador fica só na área esperando a bola. Foi um gol de contribuidor, de alguém que aparece quando a equipe mais precisa. Esses gols têm outra qualidade psicológica: surpreendem, abrem espaço mental para o time respirar.
Suspensão não afeta Libertadores
Paquetá está suspenso para o próximo jogo do Brasileirão, contra o Bragantino no Maracanã (domingo, 20 de setembro). A ausência pode pesar na escalação. Mas Jardim tem uma janela de alívio: o meia-volante continua apto para a partida de volta das quartas de final da Libertadores contra o Del Valle, marcada para quinta-feira (17).
O Del Valle chegou ao Rio com desvantagem de 2 a 0 após perder o primeiro jogo em Quito. O Flamengo pode até perder por um gol de diferença que mesmo assim se classifica para a semifinal. A expectativa é de um Maracanã lotado para empurrar a equipe, e Paquetá terá papel importante nesse duelo se entrar em campo com liberdade.
Sua presença nas duas competições — Brasileirão e Libertadores — define boa parte do que o Mengão consegue render nos próximos dias. Os 11 gols em 2026 não caem do céu: refletem consistência, acerto tático de Jardim e capacidade de um jogador que transcendeu sua função original para se tornar o que o clube mais precisa agora.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.