Maurício Souza explica por que Flamengo não comprou Samuel Lino na base

Maurício Souza explicou por que o Flamengo não comprou Samuel Lino quando o ponta estava na base do clube. A decisão de 2018, segundo o ex-técnico, não foi falta de qualidade do jogador — foi concorrência e falta de prioridade naquela geração. Sete anos depois, o Mengão desembolsou 22 milhões de euros para trazê-lo de volta.

O atacante tinha apenas 18 anos quando chegou ao sub-20 rubro-negro, emprestado pelo São Bernardo. Lino fez parte do elenco campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2018, ao lado de uma geração que já produzia bons frutos para o clube. Mas ali terminou sua primeira passagem — retornou ao São Bernardo ainda no mesmo ano, sem que o Flamengo exercesse o direito de compra.

“O Samuel Lino esteve também no Flamengo com 18 anos na base. Campeão da Copa São Paulo com a gente. Era um outro atleta também que vinha do futsal. Muito bom”, contou Maurício ao Charla Podcast. O técnico, que saiu do clube e agora está livre no mercado, completou a análise com franqueza sobre as razões da saída.

“Muito bom ponta, jogador inteligente, mas tinha uma concorrência grande, veio por empréstimo, o contrato estava acabando e o Flamengo não exerceu a compra na época. Tinha uma disputa muito grande na época”, explicou. A concorrência era real: aquela geração anterior à de Vinícius Júnior tinha alternativas de qualidade, e a hierarquia da categoria não apontava Lino como prioridade naquele momento.

De dispensado a contratação milionária

Depois de deixar o Mais Querido, Samuel Lino rodou pelo futebol europeu. Passou pelo Gil Vicente em Portugal, ganhou relevância e chamou atenção do Atlético de Madrid, que o comprou e o manteve no elenco. Seu trajeto, porém, não foi linear — a vida no futebol europeu o testou constantemente.

Mas a história voltou ao ponto de partida. Em 2025, o Flamengo resolveu investir pesado no atacante. Pagou 22 milhões de euros — aproximadamente 143 a 144 milhões de reais — por Lino. Era uma segunda chance, incomum mesmo na história do clube. Poucos jogadores dispensados na base conseguem voltar anos depois com tamanha injeção de recursos.

No primeiro ano, 2025, Lino sofreu críticas apesar de o Flamengo conquistar o Brasileirão e a Libertadores. A cobrança sobre seus números existia, a pressão era real. Muita gente questionava o investimento, especialmente em um mercado onde jovens talentos costumam desaparecer sem deixar rastro quando saem do clube.

Em 2026, porém, o cenário mudou. Lino se consolidou como um dos destaques do elenco. Até a rodada mais recente do campeonato, o camisa 16 acumulava nove gols e dez assistências em 40 partidas na temporada. Números que justificam, ao menos parcialmente, o investimento feito anos antes. Sua evolução é visível; sua importância no ataque do Mengão, inegável.

A geração que ficou para trás

A reflexão de Maurício Souza, porém, traz uma questão maior. Lino teve o privilégio de uma segunda chance — algo raro. Muitos outros da mesma geração não tiveram. João Vítor Reis, comentarista, reforçou essa realidade ao lembrar de talentos que não conseguiram o mesmo destino.

“O destino trouxe Samuel Lino de volta depois de sete anos. Só que tem vários jovens que não têm a mesma segunda chance que o ponta teve no Flamengo”, destacou. A crítica é válida: nem todo jogador dispensado na base tem a estrutura, a paciência ou a oportunidade de evoluir no exterior e voltar como uma compra cara.

Yuri César é o exemplo citado. Era destaque na base rubro-negra, mas não ganhou chances à altura do seu potencial no elenco principal. Atualmente está na sexta temporada no futebol árabe, distante dos holofotes e das oportunidades que o Flamengo ofereceria. A diferença entre Lino e Yuri não foi talento — foi circunstância.

A história de Samuel Lino, portanto, é também a história de uma segunda chance que funcionou. Não porque a base do Flamengo tenha errado em deixá-lo ir — a concorrência existia, as prioridades eram outras. Mas porque anos depois, quando o mercado europeu o validou, o Mengão reconheceu o valor e investiu. Nem sempre isso acontece. Nem sempre o destino traz os talentos de volta.