O empate por 1 a 1 da Seleção Brasileira contra o Marrocos no MetLife Stadium expôs as dificuldades coletivas do time comandado por Carlo Ancelotti, e a atuação de Lucas Paquetá acabou sendo um reflexo direto desse desequilíbrio estrutural.
Escalado em uma função tática específica e sacrificante, o meio-campista não conseguiu entregar o volume de jogo e a criatividade que dele se esperavam.
O Contexto Tático e o Sacrifício de Paquetá
Carlo Ancelotti montou o Brasil com uma linha de frente agressiva, posicionando Vinicius Júnior na esquerda, a dupla Raphinha e Igor Thiago centralizada, e Lucas Paquetá aberto pelo lado direito.
Essa estrutura acabou isolando o jogador por duas razões principais:
- Falta de apoio na construção: O meio-campo, composto por Casemiro e Bruno Guimarães, sofreu com a forte marcação e a intensidade dos marroquinos nos primeiros minutos. Sem que a bola saísse limpa de trás, Paquetá precisou recuar excessivamente para ajudar na transição, distanciando-se da zona de perigo.
- Características natas: Paquetá rende melhor centralizado, distribuindo o jogo e pisando na área. Preso à ala direita, ele perdeu sua principal virtude de ditar o ritmo e acabou sobrecarregado na tentativa de fechar os espaços defensivos do setor.
Análise do Desempenho Individual
O rendimento abaixo do esperado do escrete brasileiro passou diretamente pela desconexão entre o meio-campo e o ataque. No primeiro tempo, enquanto o Brasil sofria com erros de passe e pouca contundência, a equipe dependeu excessivamente de lampejos individuais — como a grande jogada de Vini Jr. para empatar o jogo após o gol de Ismael Saibari.
Durante os 60 minutos em que esteve em campo, Paquetá:
- Encontrou enorme dificuldade para quebrar as linhas de marcação recuadas de Marrocos.
- Teve pouca associação técnica com Raphinha e Igor Thiago, tornando o ataque previsível pelo lado direito.
- Apresentou desgaste físico precoce decorrente do esforço para recompor sem a bola.
Diante do cenário de pouca criatividade, Ancelotti optou por sacá-lo logo aos 15 minutos da etapa complementar para a entrada de Matheus Cunha. A alteração mudou a dinâmica da equipe, centralizando mais as ações e dando maior mobilidade ao setor ofensivo, o que escancarou que o desenho tático inicial com Paquetá sacrificado na ponta não funcionou.
O Impacto no Coletivo
Sem a presença de Neymar (desfalque por lesão), a responsabilidade de cadenciar o jogo recaiu sobre Paquetá. No entanto, a atuação tímida e presa ao esquema tático travou o fluxo ofensivo do Brasil, evidenciando que a Seleção ainda carece de alternativas coletivas quando suas individualidades são neutralizadas por blocos defensivos bem organizados.
O empate na estreia serve como um forte sinal de alerta para a sequência do Grupo C contra Haiti e Escócia: o talento individual de peças como Vini Jr. é inegável, mas o equilíbrio do meio-campo e o melhor aproveitamento de jogadores como Paquetá em suas posições de origem serão fundamentais para que a Seleção Brasileira apresente o futebol dominante que a torcida espera.