Gruyère
Em razão do amistoso entre Flamengo e Lausanne, não houve partida da Copa do Mundo na última quarta-feira. Compreensível.
Conforme minhas pesquisas e alfarrábios, o Lausanne foi o 9º colocado, entre 12 equipes, no Suição da temporada passada. Convenhamos que não é um gigante europeu nem um gigante suíço – se é que exista um “gigante suíço” no futebol.
Em um jogo morno, como sói esperar do futebol vindo da República Helvética, o Flamengo venceu o Lausanne por 2×0. Lorran, mais uma vez fazendo um bom jogo e entrando duas vezes em campo, e Wallace Yan, depois de receber um presentaço e perder um caminhão de gols, marcaram.
Falando do Wallace Yan, neste amistoso da última quarta-feira, mais uma oportunidade foi perdida e dessa vez não envolve o Emerson Royal. Penso que o Wallace Yan poderia ter aproveitado a incursão lausanense pelo Algarve e cavado uma vaguinha por ali. A não ser que seja discípulo do “Adriano Imperador way of life”, morar na Suíça deve ser mais interessante do que morar no Brasil.
Gostei da atuação do Joshua, enquanto esteve em campo. Movimenta-se muito bem e parece saber o que faz. Levo fé nesse garoto desde que vi seu nome pela primeira vez, o que me lembrou o notório disco do U2 lançado em 1987, “The Joshua Tree”. Mas isso não quer dizer nada: lá por 2009 ou 2010, tínhamos um volante chamado Lenon, ignoto para uns e no ostracismo para outros. Deve ser porque faltou um N na grafia de seu nome. Novamente evocando minhas pesquisas e alfarrábios, Lenon hoje atua pelo Confiança.
As estrelas
Quem tem nove estrelas no escudo (vamos fingir que o Mengo trocou o Mundial pelo Brasileirão no bordado do uniforme) não sentiria falta de seis estrelas na Amarelinha? Sentiria sim. Uma coisa não exclui a outra.
O sonho do hexa foi adiado sine die, com longínqua previsão de reaparecer, pois, a meu ver, a Seleção Brasileira tem piorado a cada Copa do Mundo, por pura ausência de jogadores de técnica elevada. Nenhum dos onze atuais seria titular na Copa de 2006, para citar como exemplo uma Copa que foi uma verdadeira decepção. Antes, o Brasil era eliminado por França, Holanda e Alemanha. Hoje, somos eliminados por Bélgica, Croácia e Noruega. Já estou imaginando o Kvaratskhelia fazendo o gol da vitória da Geórgia sobre o Brasil em 2030.
Mas voltemos ao tópico principal, que é o Flamengo.
A Seleção Brasileira, especialmente a Copa do Mundo, deveria ser uma trégua na rivalidade entre os clubes. Infelizmente, não é. Quantos antis não desejaram o insucesso de nossas crias? Como eu disse, o que quer que acontecesse, os rubro-negros seriam criticados de alguma forma. Casemiro à parte, afirmar que Vinicius Jr. deveria ter cobrado o pênalti que Gabriel Magalhães perdeu é ignorar que quem decide isso é a comissão técnica. O que dou o direito de questionar é: será que a comissão técnica não vê Vini Jr. como protagonista da Seleção? Na Argentina, não há dúvidas de que o batedor de pênaltis é o Messi, que, por sinal, já andou perdendo dois pênaltis nesta Copa. Em Portugal, Cristiano Ronaldo. Na Croácia, Modric. Na França, Mbappé (errou ontem, mas não fez falta). E no Brasil, com o Neymar no banco, não deveria ter sido o Vinicius? A meu ver, sim. Mas a crítica deve ir para o Ancelloti, e não para o garoto de São Gonçalo, que levou essa pífia Seleção nas costas.
É muita onda para pouca água!
Isto posto,
Saudações Rubro-Negras!

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.