Pedro revela conflito: “É difícil ser jogador e torcedor ao mesmo tempo”

Pedro vive uma relação paradoxal com o Flamengo. Torcedor apaixonado desde criança, o camisa 9 revelou em entrevista à Flamengo TV que precisar ser jogador e torcedor ao mesmo tempo é uma luta constante, especialmente quando olha para as arquibancadas do Maracanã durante as partidas.

Em conversa com Zico, o atacante explicou com clareza esse conflito interno que mexe profundamente com suas emoções. “Aqui no Flamengo é difícil. O jogador tendo que manter o foco em campo; para quem é torcedor, olhar aquela massa toda. Então, sempre que eu faço gol, tem até foto que eu apareço arrepiado. Não só pelo gol, mas o lado torcedor, às vezes, fala mais alto. Mesmo a gente tendo que controlar a emoção. É difícil ser jogador e torcedor ao mesmo tempo.”, declarou Pedro.

A declaração não é apenas poética. Ela retrata algo concreto e visível em cada comemoração do atacante. Frequentemente arrepiado após marcar, Pedro deixa transparecer a conexão direta entre aquela multidão rubro-negra e seu desempenho dentro de campo. Não é coincidência que sua melhor fase coincida exatamente com essa intensidade emocional que ele conseguiu canalizar.

De emoção a números: 15 gols em 24 jogos

Apesar do desafio emocional, ou talvez por causa dele, Pedro vive temporada de altíssimo nível em 2026. É o principal artilheiro do Mengão no ano, marcando gols em sequência e fazendo diferença nas principais partidas. Na rodada anterior, balançou a rede duas vezes na goleada por 4 a 0 sobre o Atlético Mineiro, longe de casa, consolidando sua importância no sistema ofensivo montado por Leonardo Jardim.

O saldo é impressionante: 15 gols e quatro assistências em 24 jogos disputados. Números que refletem não apenas a qualidade técnica do atacante, mas também sua capacidade de traduzir sentimento em rendimento prático dentro das quatro linhas. O Flamengo construiu sua campanha na temporada em grande medida nas costas deste jogador que luta contra si mesmo para manter a frieza tática necessária.

Historicamente, Pedro já deixou sua marca profunda na história do clube. Com 167 gols pelo Mengão, é atualmente o sexto maior artilheiro da instituição. À sua frente estão apenas nomes de grande peso: Zico (508 gols), Dida (254), Henrique Frade (213), Pirillo (208) e Romário (204). O ritmo atual do atacante permite sonhar com avanços significativos nesta lista.

Seu pai, Marcos Guilherme, já projetou publicamente que o filho pode alcançar o terceiro lugar entre os maiores artilheiros da história rubro-negra. Para isso, precisaria ultrapassar tanto Pirillo quanto Henrique Frade, o que não é impossível considerando a fase que vive e os anos que ainda tem de carreira pela frente.

Chance de ampliar números contra o Estudiantes

Nesta quarta-feira (29), Pedro terá nova oportunidade de balançar as redes. O Mais Querido enfrenta o Estudiantes de La Plata pela Copa Libertadores, em partida disputada em La Plata, a partir das 21h30 (horário de Brasília). O confronto é decisivo para a campanha continental do clube, e o atacante segue como referência ofensiva principal.

A ausência de Erick Pulgar, que não viajou para La Plata devido a uma lesão na articulação acromioclavicular do ombro direito, deixa ainda maior responsabilidade nos ombros (literalmente) de Pedro e dos demais jogadores ofensivos do elenco. Pulgar, além da lesão identificada em 5 de abril e agravada por pancada sofrida dias antes, também cumpre suspensão pelo STJD, faltando apenas uma partida para completar o cumprimento da pena (domingo contra o Vasco). Sua volta aos gramados está prevista apenas para 7 de maio.

O camisa 9, portanto, segue como peça central na estratégia do Mengão. A combinação entre emoção controlada e frieza técnica que Pedro descreveu em entrevista é exatamente o que o clube precisa nesta fase da competição continental. Cada gol marcado, cada arrepio de torcedor canalizado em profissionalismo, aproxima o Flamengo de seus objetivos na temporada.