RAIO-X DAS NARRATIVAS 2 — O FLAMENGO BRIGOU, APANHOU … E PASMEM, ESTAVA CERTO!

RAIO-X DAS NARRATIVAS 2 — O FLAMENGO BRIGOU, APANHOU … E PASMEM, ESTAVA CERTO!
RAIO-X DAS NARRATIVAS 2 — O FLAMENGO BRIGOU, APANHOU … E PASMEM, ESTAVA CERTO!

Flamengueiros e Flamengueiras!

Nos últimos meses, parte da imprensa esportiva tentou transformar uma discussão financeira legítima em mais um “surto de arrogância” do Clube de Regatas do Flamengo.

O motivo?
A briga do clube com a Libra pelos critérios de distribuição dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

Na época, o Flamengo foi tratado por muitos como vilão da história.

Disseram que o clube queria “asfixiar” os demais. Que estava criando instabilidade. Que queria romper acordos por ganância.

O tempo passou.

E agora veio o detalhe que muda tudo: o Flamengo fechou um novo acordo e garantiu aproximadamente R$ 150 milhões adicionais até 2029.

Ou seja: o Flamengo questionou, peitou o sistema e estava certo em reivindicar revisão dos critérios.

O debate nunca foi simplesmente “quero mais dinheiro”.

O ponto central sempre esteve na falta de clareza sobre os critérios envolvendo audiência e distribuição entre plataformas, TV aberta, fechada e pay-per-view. Inclusive, esse era exatamente o argumento jurídico apresentado pelo clube desde o início da disputa.

Mas qual foi a narrativa construída na época?


Que o Flamengo estava isolado.
Que a diretoria agia por ego.
Que o clube queria implodir a Libra.

Colunistas como Danilo Lavieri e Paulo Vinícius Coelho fizeram críticas duras à postura rubro-negra durante o conflito como disse anteriormente o problema não é criticar, crítica faz parte do debate, o  problema aparece quando a conclusão vem antes da apuração completa.


Porque agora, com o acordo fechado e os novos valores reconhecidos, fica evidente que havia, sim, uma distorção relevante sendo questionada pelo Flamengo.

E aí surge a pergunta que quase nunca aparece no jornalismo esportivo brasileiro:


Onde está a autocrítica?

Onde está a revisão de discurso?

Porque quando o Flamengo erra, a condenação vem em manchete, debate, vídeo, corte e plantão.

Mas quando o clube acerta uma disputa gigantesca, que pode impactar o futebol brasileiro pelos próximos anos, o silêncio costuma ser proporcional ao desconforto.

O mais curioso é que o próprio desfecho desmonta boa parte da narrativa anterior.

Se tudo estava tão claro…
Se tudo estava tão correto…
Se o Flamengo era apenas “o problema” …

Por que houve renegociação?

Por que houve novo entendimento?

Por que R$ 150 milhões foram adicionados ao acordo?

A resposta é simples: porque o questionamento fazia sentido.

E aqui mora um ponto que muita gente não aceita admitir:

O Flamengo não pode ser tratado como arrogante apenas por defender os próprios interesses.

Principalmente quando esses interesses movimentam audiência, mercado, patrocínio e receita em níveis que poucos clubes no continente conseguem alcançar.

No futebol brasileiro existe uma estranha cultura onde o Flamengo é constantemente pressionado a “ceder”, “aceitar”, “não tensionar”.

Quando reivindica algo, é chamado de soberbo.

Quando outros fazem o mesmo, recebem o selo de “boa gestão”.

E assim a narrativa vai sendo construída.

Mais uma vez, não se trata de blindar o Flamengo de críticas.

Trata-se de cobrar coerência de quem analisa.

Porque uma coisa é discordar da estratégia do clube.

Outra completamente diferente… é transformar qualquer defesa dos interesses do Flamengo em pecado esportivo.

Para finalizar,  como o futebol adora ironias, o roteiro deste domingo entrega mais um detalhe interessante.

 Enquanto muita gente ainda insiste em pintar o Flamengo como um clube “em crise permanente”, o campeonato mostra outra realidade: após o empate em 1 a 1 do líder Palmeiras com o Santos Futebol Clube, uma vitória rubro-negra sobre o Vasco da Gama coloca o Flamengo novamente encostando na liderança. No fim das contas, a tal “terra arrasada” que tentam vender sempre que acham uma oportunidade (falo aqui da derrota no passado contra o Bragantino), quase sempre termina do mesmo jeito: com o Flamengo vivo, competitivo e brigando lá em cima. Porque narrativa ganha clique. Mas é a tabela que conta a verdade.

Saudações sempre rubro-negras negras.

Ivan Maurício.