Agustín Rossi completou 200 jogos com a camisa do Flamengo e entrou oficialmente para a história do clube. A marca foi alcançada exatamente na noite em que o Mais Querido venceu o Atlético-MG por 3 a 2, em 26 de outubro, no Maracanã. A homenagem aconteceu no dia seguinte, no Ninho do Urubu, com a entrega de uma camisa comemorativa feita por José Boto, diretor de futebol do clube.
O goleiro argentino, que chegou ao Flamengo em 2023, passou a integrar um grupo seleto de goleiros rubro-negros. Ele é o décimo com mais aparições na história do clube — e não é qualquer colocação. É também o segundo goleiro estrangeiro a atingir essa marca, atrás apenas de Sinforiano García, reforçando a importância de sua trajetória entre os goleiros que defenderam o Mengão.
Durante a cerimônia, Rossi refletiu sobre o alcance do feito. “Quando cheguei, uma das minhas primeiras frases foi que queria fazer minha história aqui no clube. Hoje, chegar ao décimo lugar entre os goleiros com mais jogos pelo Flamengo, ser o goleiro com mais minutos sem sofrer gols e alcançar o topo em número de partidas sem ser vazado no século é muito importante e gratificante para mim,” declarou o argentino.
Os números que sustentam a homenagem
Os algarismos de Rossi impressionam. Em 200 jogos, ele registra 117 vitórias, 51 empates e apenas 32 derrotas, com 147 gols sofridos. Mas é na solidez defensiva que sua marca brilha mais: são 95 partidas sem ser vazado — um recorde rubro-negro em termos de quantidade de jogos consecutivos sem levar gol.
O arqueiro também ostenta 1.134 minutos sem sofrer gols, o maior número já registrado por um goleiro flamenguista. Na cobrança de pênaltis, defendeu 12 dos 39 que enfrentou, alcançando um aproveitamento de 30,8%. Esses números traduzem não apenas eficiência, mas também confiabilidade — qualidade fundamental para alguém que veste a camisa de um clube com ambições continentais.
Rossi se consolidou como peça central do esquema defensivo do Flamengo. A continuidade lhe permitiu criar entrosamento com a defesa, aprimorar a leitura do jogo e oferecer segurança ao time. Sua progressão desde a chegada não foi linear — todo goleiro estrangeiro enfrenta curva de adaptação — mas a trajetória o colocou entre os nomes mais memoráveis da posição na história recente rubro-negra.
Sete títulos no currículo junto com a Nação
Rossi não apenas jogou muito: venceu bastante. Com ele entre os postes, o Flamengo conquistou sete títulos. O destaque fica para a Copa do Brasil de 2024 e, especialmente, a Libertadores de 2025 — competição que resgata o Mengão para o patamar máximo do futebol continental. Essas vitórias não são registros frios em seu currículo; são símbolos de contribuição direta a campanhas que marcaram a história recente do clube.
A vitória sobre o Atlético-MG que selou seus 200 jogos não foi comum. O jogo teve dramaticidade: o Flamengo saiu atrás, buscou a virada, sofreu novo gol e precisou voltar ao ataque. Jorge Carrascal converteu um pênalti já nos acréscimos do segundo tempo — falta de Renan Lodi em Léo Pereira — e decidiu o confronto. O gol foi importante porque fez o Flamengo reassumir a liderança do Campeonato Brasileiro com 70 pontos, à frente do Palmeiras com 69.
Rossi estava lá, no meio da tensão e da celebração, realizando sua primeira atividade como goleiro dos 200 jogos: participar de mais uma vitória que importa para a Nação rubro-negra. Seu nome ganhou uma nova dimensão histórica naquela noite, mesmo que a pressão sobre o elenco e a comissão técnica continuasse alta fora do campo.
O futuro ainda é incerteza
Se a história do passado é sólida, o porvir segue nebuloso. Rossi tem contrato com o Flamengo até 31 de dezembro de 2027, mas as negociações de renovação não avançaram. O tema não foi mencionado na cerimônia de homenagem — o foco foi inteiramente no feito alcançado — mas paira sobre o goleiro e o clube. Um jogador desse patamar, com esses números e esses títulos, sempre desperta interesse do mercado. O Flamengo terá de agir para manter seu goleiro em sintonia com o projeto.
O Mais Querido volta a campo em 29 de outubro de 2026, contra o Vasco, às 20h (de Brasília), no Estádio Nilton Santos, em um clássico que promete tensão tanto nos números quanto na torcida. Rossi estará lá novamente, buscando adicionar mais uma linha ao seu registro memorável com a camisa rubro-negra — e talvez, em breve, resolvendo a questão contratual que o mantém no radar do futebol internacional.

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