Conmebol abre processo contra o Flamengo pela mensagem “Proibir não é proteger”

A Conmebol abriu um processo administrativo contra o Flamengo pela exibição da mensagem “Proibir não é proteger” na camisa durante a partida contra o Estudiantes. O Mengão descumpriu orientação expressa da confederação, que tentou vetar o protesto antes do jogo começar, e agora enfrenta consequências disciplinares e financeiras.

O delegado da partida alertou o clube sobre as penas previstas no Artigo 67 do Regulamento Comercial e de Marketing do torneio antes do confronto. Mesmo ciente das consequências, o Mais Querido optou por manter a frase estampada na camisa, o que levou à abertura imediata do processo.

Multas e penalidades em aberto

As multas previstas para o Flamengo variam de US$ 5 mil a US$ 50 mil, equivalentes a R$ 25 mil até R$ 250 mil. O valor exato será definido no decorrer do processo administrativo, que agora segue seus trâmites formais na estrutura da confederação.

A confederação não tolerou o que considerou descumprimento de suas orientações sobre o uso de mensagens políticas ou de protesto nas camisas durante competições oficiais. O conflito evidencia a tensão entre liberdade de expressão e as normas comerciais e de marketing que regulam as competições sul-americanas.

A situação coloca o rubro-negro em posição incômoda: de um lado, o discurso sobre protesto e direitos fundamentais que justificou a mensagem; do outro, as estruturas burocráticas do futebol que proíbem expressões desse tipo em campo. A confederação entende que camisas e uniformes são patrimônio comercial e de marketing do torneio, não espaço para manifestações políticas ou sociais.

Questão de Marcos Rojo ainda pendente

Enquanto aguarda o desfecho do processo sobre a mensagem, o Flamengo também segue ansioso por outra decisão da Corte Arbitral do Esporte: a análise sobre a possível escalação irregular de Marcos Rojo na mesma partida contra o Estudiantes.

A presença do zagueiro argentino em campo pode ter violado regras da competição, e a confederação está investigando se havia impedimentos legais ou regulamentares para sua participação. Uma possível punição ao clube poderia incluir desclassificação, perda de pontos ou outras penalidades esportivas mais severas que as multas financeiras previstas no artigo 67.

O clube aguarda análise mais aprofundada da corte sobre o tema. Enquanto isso, segue o andamento do processo administrativo em paralelo, deixando o Mengão exposto a múltiplas frentes de risco disciplinar decorrentes de um único jogo.

A mensagem “Proibir não é proteger” ressoava como crítica a políticas de segurança pública ou controle social, mas a Conmebol interpretou como violação clara das normas que proíbem manifestações não autorizadas em uniformes oficiais. A confederação possui poder estatutário para fazer valer essas restrições através de seus mecanismos disciplinares.

Agora o Flamengo precisa se defender administrativamente, com possibilidade de recorrer às instâncias superiores se discordar das penalidades que vierem a ser impostas. A Nação rubro-negra acompanha de perto dois processos que podem resultar em multas pesadas ou, pior ainda, em comprometimento do desempenho esportivo do clube na competição.