Jardim admite fracasso tático com Paquetá e justifica entrada de Arrascaeta

Leonardo Jardim admitiu que Lucas Paquetá não correspondeu à expectativa e explicou por que o escolheu no lugar de Arrascaeta para o jogo contra o Independiente del Valle. O meia recebeu amarelo por acertar o braço no rosto de um rival, errou passes e foi vaiado no Maracanã antes de sair aos 14 minutos do segundo tempo. A entrada do uruguaio resolveu: Arrascaeta marcou o gol que selou a classificação do Mengão.

A escalação surpreendeu parte da torcida rubro-negra. Na coletiva após o empate em 1 a 1, Jardim explicou o raciocínio por trás da escolha. “Todos sabíamos que eles viriam mais agressivos, então a ideia foi colocar o Paquetá porque ele é mais físico, pensando nos duelos na entrada da área. Acabou por não acontecer”, disse o técnico.

O treinador foi direto ao reconhecer o fracasso tático. Usou uma metáfora portuguesa para justificar: “Lá em Portugal existe uma coisa que dizemos que é ‘os melões só vemos se são bons depois de abrir’. Ele não fez um jogo à sua dimensão. Graças a Deus temos um elenco que quando um não está bem, temos outro à altura”.

Paquetá não corresponde e recebe amarelo em lance polêmico

Em campo, Paquetá foi mais um problema que solução. Errou passes com frequência, perdeu bolas simples e perdeu credibilidade junto à torcida. Aos seis minutos do segundo tempo, cometeu uma infração que quase o tirou da partida: acertou o braço no rosto de um jogador do Del Valle. O árbitro aplicou apenas cartão amarelo, deixando o Flamengo livrado de uma possível expulsão que teria complicado ainda mais a noite.

A vaia que ecoou no Maracanã refletia a frustração com o desempenho. O camisa 20 não conseguiu impor seu jogo, não venceu duelos e não criou espaço para os companheiros. Não era o volante-meia físico que Jardim havia imaginado para frear a agressividade equatoriana.

Jardim detalha visão de Paquetá como volante e não meia puro

Depois de tirar Paquetá, Jardim aprofundou sua análise sobre o jogador. Reconheceu que no Campeonato Inglês ele atuava frequentemente no corredor e como meia, mas contextualizou: “Lá ele não jogava em uma equipe que propunha o jogo, mas sim uma que era reativa”.

O técnico deixou clara sua avaliação da posição ideal do meia. “Eu o vejo como um volante que pode fazer outras posições. Mas a primeira é volante. Acho que ele é um segundo volante, como Jorginho e Saúl. E eu posso escalá-lo de meia e pontas. Mas gosto de pontas com movimentos de facão, algo diferente do Paquetá”, detalhou.

A declaração é importante para entender a estratégia do Mais Querido. Jardim enxerga Paquetá não como criador de jogo ofensivo, mas como peça defensiva com capacidade para atuar avançado. Uma visão que redimensiona o uso do brasileiro no esquema tático.

Arrascaeta resolve e Flamengo avança para a semifinal

Insatisfeito, Jardim não esperou mais. Aos 14 minutos do segundo tempo, tirou Paquetá e mandou Arrascaeta a campo. O uruguaio entrou para resolver. Aos 39 minutos, após lançamento de Agustín Rossi, Arrascaeta marcou o gol que deu tranquilidade ao time e selou a classificação com o placar final de 1 a 1.

A substituição funcionou em cheio. Arrascaeta trouxe criatividade e toque que faltavam. O gol não apenas garantiu a vaga, mas também reforçou a importância do uruguaio na engrenagem ofensiva do Mengão em momentos decisivos.

Agora o Flamengo enfrenta o Estudiantes na semifinal da Copa Libertadores. O primeiro jogo acontecerá na Argentina, e o mata-mata será concluído com uma volta no Maracanã. Os duelos estão marcados para a metade de outubro. Na outra semifinal, Palmeiras e Fluminense ainda disputam a segunda vaga para a decisão única que acontecerá no dia 28 de novembro em Montevidéu.