Jorginho enxerga em Flamengo x Mirassol uma virada de chave. Com vitória de 2 a 0 conquistada na quarta-feira (02) no Maracanã, o volante não descartou o peso simbólico do cântico que saiu das arquibancadas ao fim da partida — a torcida cantou que será campeã. Para ele, porém, o que marca mesmo é o retorno à solidez após dias turbulentos.
Em entrevista ao Premiere, Jorginho revelou como interpreta o apoio da Nação rubro-negra. A letra “Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe Mengo, seremos campeões” não é só ruído. O camisa 21 a trata como combustível.
A gente recebe como, obviamente, motivação. Sentir esse apoio da torcida é realmente importante, quer dizer que todo mundo está olhando na mesma direção. É muito gratificante e importante para todos nós. Então é, com certeza, todos nós, por um único objetivo.
O resultado sobre o Mirassol catapultou o Mengão a 51 pontos, apenas um abaixo do Palmeiras na ponta da tabela. Ambos os times completam 25 rodadas disputadas — o que significa que ainda há o confronto direto pendente. Numa lógica simples e direta: o Mais Querido depende apenas de si para conquistar seu décimo título nacional. Esse cenário de responsabilidade própria alimenta a confiança que transbordava no Maracanã.
Do colapso à reconstrução: a virada explicada por dentro
Pouco depois da Copa do Mundo, o rubro-negro conviveu com instabilidade. Empates contra São Paulo e Internacional se combinaram com desempenhos abaixo da média, suficientes para soar os alarmes entre dirigentes e torcedores. Jorginho nomeia esse período de forma clara: foi preciso dar uma virada de chave.
O volante não detalha o ponto de inflexão com precisão cirúrgica, mas sinaliza que algo mudou na forma como o grupo trabalha internamente. Segundo ele, as coisas começaram a se encaixar melhor, começaram a fluir.
“Acredito que chegou um certo momento da temporada que a gente precisava dar essa virada de chave, quando as coisas começaram a se encaixar melhor, começaram a fluir. Temos que continuar agora nesse caminho, manter o foco como a gente vem trabalhando, sabendo que é realmente um momento importante da temporada que vai chegando no final.”
A ênfase no “final da temporada” não é retórica. Com 25 rodadas cumpridas em um campeonato que tem 38, cada resultado passa a ter peso exponencial. Pontos deixam de ser números numa tabela e viram moeda de troca por títulos. Jorginho conhece essa matemática e cobra foco de todos.
Segundo tempo problemático continua a gerar incômodo
A queda de desempenho entre primeiro e segundo tempo é tema recorrente no Flamengo dos últimos compromissos. Contra o Mirassol, o padrão se repetiu: Carrascal (13′) e Paquetá (42′) selaram a conta antes do intervalo. Na etapa final, o jogo esvaziou-se.
Indagado sobre esse padrão, Jorginho admite dificuldade em mapear a causa com precisão. Conversa existe, pensamento existe, mas a explicação elude até mesmo quem vive o fenômeno por dentro.
“É difícil você encontrar o porquê, né? Você conversa, você pensa e acredito que a gente melhorou um pouco em comparação com outros jogos. A gente teve um pouco de dificuldade, a gente sabe disso, no começo do segundo tempo dos últimos jogos. Então é algo que a gente vem trabalhando para poder melhorar.”
O que chama atenção é a humildade em reconhecer o problema sem transformá-lo em desculpa. Jorginho não culpa rotação, clima do estádio ou calendário. Ele devolve a responsabilidade ao próprio grupo: é trabalhável, é melhorável, é uma questão de tempo e dedicação. A chegada de Walter ao banco no segundo tempo contra o Mirassol — substituindo o goleiro que sofreu lesão — criou fluidez defensiva e ofensiva na etapa final, ainda que em menor intensidade.
A sequência de vitórias como prova de fogo
Jorginho finaliza seu pensamento com um pedido direto: embalar numa sequência de vitórias. Não é desejo ingênuo, mas demanda estratégica. Num campeonato onde 51 pontos ainda deixam você a apenas um do topo, sequências são diferenciais.
“Agora é manter o foco para continuar nessa pegada e tentar o que a gente talvez não tenha conseguido, que é embalar numa sequência de vitórias. Seria importante. Então é todo mundo, o grupo inteiro pensando da mesma maneira, na mesma direção. Acredito que esse seja o ponto chave da coisa.”
O próximo teste vem no domingo (06), contra o Remo, em Belém. O Mangueirão é casa do adversário, fora do conforto do Maracanã. A bola rola às 16h (horário de Brasília). Se o Mengão manter a virada de chave que Jorginho descreve, o grito de “seremos campeões” ganha materialidade além da emoção das arquibancadas.

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