José Boto provoca Abel Ferreira e elogia Leonardo Jardim

José Boto não deixou o assunto passar em branco. O diretor de futebol do Flamengo marcou posição sobre Abel Ferreira em entrevista à ESPN, afirmando de forma contundente que o treinador do Palmeiras “deve toda a sua carreira ao Brasil” — diferente de outros técnicos portugueses que construíram prestígio antes de chegar ao país.

A declaração é clara: para Boto, não há comparação entre Abel e Leonardo Jardim. O dirigente do Mengão coloca o atual técnico rubro-negro em patamar superior entre os portugueses que passaram pelo futebol brasileiro, justamente porque Jardim já tinha carreira consolidada na Europa antes de chegar ao Flamengo.

“Eu nunca trabalhei com o Abel. Ele faz um sucesso muito grande no Brasil e acho que ele deve toda a sua carreira ao Brasil. Ou seja, é daqueles treinadores que o Brasil fez dele treinador. O Abel treinou o Braga… Não estou dizendo que foi mal ou bem. Depois, treinou o PAOK e saiu de lá para o Palmeiras”, iniciou Boto.

Na sequência, o português reforçou o argumento ao comparar a trajetória de Abel com a de Jorge Jesus e Leonardo Jardim. “E toda a carreira dele de sucesso, que ele (de fato) tem, foi construída no Brasil. Todos os outros treinadores (portugueses) que já passaram pelo Brasil, Jorge Jesus, o Leonardo agora, construíram (suas) carreiras antes de chegar ao Brasil”, complementou.

Flamengo e Palmeiras seguem como potências do futebol brasileiro

Questionado sobre a continuidade da hegemonia do Mengão e do Palmeiras nas principais competições, Boto foi realista. Segundo o dirigente, essa supremacia deve se manter por muitos anos, com pouca margem para alterações estruturais no cenário nacional.

Ainda assim, Boto identificou uma possível brecha. Para ele, o Cruzeiro — que enfrentará o Flamengo nas oitavas de final da Libertadores em agosto — pode emergir como uma terceira força em determinadas situações.

“Olhando de uma forma realista, em não acontecendo nada de muito extraordinário naquilo que é o desenho do futebol do Brasil neste momento, acho que durante bastante anos, vai ser (a hegemonia) entre esses dois (Flamengo e Palmeiras). Muito provavelmente, o Cruzeiro pode ser um outsider em algumas situações”, pontuou Boto.

A avaliação do dirigente reflete o poder financeiro e estrutural consolidado pelo Flamengo e pelo Palmeiras na última década. Ambos os clubes possuem investimento consistente, infraestrutura moderna e acesso privilegiado ao mercado de transferências — fatores que dificultam o surgimento de novos protagonistas no cenário nacional.

Leonardo Jardim no panteão dos técnicos portugueses

Durante a entrevista, Boto não economizou elogios a Leonardo Jardim. O dirigente considerou o técnico rubro-negro entre os três melhores treinadores portugueses da última década e meia, perdendo apenas para José Mourinho em termos de currículo internacional.

O argumento de Boto é factual: nenhum técnico português conquistou um título nas principais ligas europeias (Big Five) além de Mourinho e Jardim. Esse feito isolado coloca o atual técnico do Mengão em posição de destaque no cenário europeu.

“Podem ir buscar uma entrevista que eu dei em janeiro. Eu considero o Leonardo um dos melhores treinadores portugueses, sem ser o (José) Mourinho. E com fatos. Não é que eu gosto mais do Leonardo, que eu gosto mais do Paulo Fonseca, que eu gosto mais do Luís Castro, que são pessoas com quem já trabalhei. São os fatos, são os resultados”, explicou.

“E você não tem nenhum outro treinador português, a não ser o Mourinho, que tenha ganhado um campeonato nas Big Five. Tem o Mourinho, que já andou muito lá, e depois tem o Leonardo. Só esse fato já faz dele um treinador com um currículo diferente de todos os outros”, acrescentou Boto.

Essa colocação de Jardim entre os tops 3 portugueses dos últimos 10 a 15 anos não é casual. Reflete a importância que Boto atribui à experiência acumulada e ao histórico de êxito internacional como diferenciais na gestão de elencos e no funcionamento de projetos técnicos.

Diferenças de metodologia e experiência no mercado

Boto também abordou questões específicas sobre como diferentes técnicos lidam com o mercado de transferências. O dirigente destacou que Filipe Luís — agora treinador na Europa — traz uma perspectiva diferente de Jardim, principalmente no que diz respeito à experiência de negociações.

“Trabalhar com o De Zerbi é diferente de trabalhar com o Luís Castro. Trabalhar com o (Paulo) Fonseca é diferente de trabalhar com o Leonardo Jardim. Os treinadores têm os seus modelos de jogo e os seus modelos de jogadores”, apontou Boto.

O dirigente enfatizou que a experiência acumulada é crucial. Técnicos com histórico mais longo entendem melhor as nuances do mercado — como a desvalorização de um jogador quando não utilizado, por exemplo. Essa compreensão permite decisões mais assertivas no que diz respeito a compras e vendas.

“Quando você tem mais experiência, sabe que isso não pode acontecer. Você vai perder dinheiro, quando você quer vender um jogador que você comprou há pouco tempo e ele não é utilizado. São essas pequenas nuances que fazem também a diferença entre trabalhar com um e trabalhar com o outro”, completou Boto.

As declarações de José Boto evidenciam a confiança do Flamengo em seu projeto técnico e a convicção de que a continuidade sob o comando de Leonardo Jardim representa uma vantagem competitiva no futebol brasileiro e continental.