O Flamengo de Leonardo Jardim permite significativamente mais finalizações por partida do que o time de Filipe Luís. Segundo análise do ge.globo, o Mengão sob Jardim sofre uma média de 12 chutes por jogo, enquanto a equipe anterior cedia apenas 9 por partida — diferença de 33% em pressão defensiva.
Em 15 jogos desde a chegada de Jardim, o Mais Querido recebeu 185 finalizações no total. Filipe Luís, durante seu comando entre 2024 e 2026, administrou 914 chutes em 101 partidas. Os números revelam padrões distintos de como cada treinador estrutura a defesa rubro-negra.
A defesa sob pressão: números e efetividade
Apesar do maior volume de finalizações sofridas, o Flamengo de Jardim não desaba nos gols concedidos. A média é de 0,73 gols por jogo — apenas 0,08 acima da anterior. O antecessor permitia 0,65 por partida. Em números absolutos, Filipe Luís sofreu 66 gols em 101 jogos, enquanto Jardim sofreu 11 em 15.
A diferença é pequena o bastante para não alarmar, mas o volume de chutes continua sendo um indicador importante. Defender mais finalizações exige intensidade constante da linha defensiva. Significa menos margem para erro, menos controle sobre o jogo e maior dependência da precisão ofensiva para compensar a fragilidade ocasional.
O fato é que uma defesa que enfrenta 12 chutes por partida está permanentemente em reação. Não dita o ritmo. Cede a iniciativa com regularidade. Por isso, estatísticas de finalização são tão reveladoras de estilo — mais do que apenas números brutos de gols.
Filosofias táticas que explicam a diferença
Filipe Luís construiu seu Flamengo sobre domínio de posse. Quanto mais a bola está com o Mengão, menos o adversário finaliza. Sua prioridade era ter a bola nos pés, circular com paciência, criar superioridade numérica em zonas de construção. Era futebol de controle, às vezes monótono, mas defensivamente organizado porque roubava espaço do rival.
Jardim pensa diferente. Seu modelo é mais vertical, mais direto. Menos toque, mais transição. Menos posse estéril, mais objetividade ofensiva. Esse estilo abre espaço defensivamente porque o time cede a posse. Convida o adversário a ter a bola. Aposta em recuperação rápida e contra-ataque.
A compensação é ofensiva: mais dinamismo, mais velocidade nas transições, mais chances geradas. A exposição defensiva é a moeda de troca. Não é falha — é escolha. Mas escolhas têm preço.
O Flamengo enfrenta agora o Independiente Medellín nesta quinta-feira, 06 de maio, no Estádio Atanasio Girardot, na Colômbia. A partida pela fase de grupos da Libertadores será um termômetro de como Jardim equilibra sua abordagem mais ofensiva com a necessidade de solidez defensiva em competição continental.
O desafio de manter resultado sem sacrificar estilo
A torcida rubro-negra está acostumada a defender bem. Historicamente, o Clube da Gávea construiu campanhas vitoriosas com defesas sólidas. A mudança de filosofia não é erro, mas exige ajuste permanente. Os números de Jardim ainda são pequena amostra — 15 jogos contra 101 de seu antecessor.
O que importa agora é se a defesa do Mengão consegue absorver esse maior volume de chutes sem sofrer muitos gols. Se conseguir, o estilo funciona. Se não, a crítica será inevitável. O futebol é pragmático: resultados justificam táticas, números não.
Jardim já demonstrou competência em estruturar equipes defensivamente sólidas em suas passagens anteriores. A questão é se ele consegue manter o Flamengo competitivo sem devolver totalmente ao modelo de Filipe Luís — e sem deixar o Mengão exposto demais para finalizações adversárias.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.