O River Plate tentou devolver Matías Viña ao Flamengo pela segunda vez, mas o Mengão mantém a exigência financeira: só aceita o lateral de volta se o clube argentino arcar com os salários até dezembro, quando encerra o contrato de empréstimo. A tentativa reflete a situação difícil do uruguaio no futebol argentino.
Viña segue encostado no River desde maio de 2024. Sua última partida aconteceu na vitória por 1 a 0 sobre o Rosario Central, pela semifinal do Campeonato Argentino. Desde então, o lateral não entra em campo, acumulando meses sem atuar. Os representantes do jogador buscam uma saída que permita a ele voltar aos gramados antes do encerramento do vínculo de empréstimo.
A posição do Flamengo não é nova. Quando o River tentou pela primeira vez devolver Viña, durante a Copa do Mundo, o clube carioca respondeu com a mesma condição: pagamento integral dos salários. A repetição da tentativa evidencia que o lateral continua indesejado no elenco argentino, e a solução permanece bloqueada pela questão financeira.
A trajetória de Viña no Flamengo
O Mais Querido desembolsou aproximadamente R$ 43 milhões para contratar Viña junto à Roma, no início de 2024. O lateral uruguaio assinou contrato até o final de 2028, com perspectivas promissoras. Porém, em agosto do mesmo ano, sofreu lesão grave no joelho que o afastou dos gramados por dez meses — tempo que comprometeu sua sequência e impactou seu rendimento ao retornar.
Apesar das limitações impostas pela recuperação, Viña conquistou títulos importantes com a camisa rubro-negra. O lateral soma 32 jogos pelo Flamengo, com um gol e duas assistências. Nesse período, conquistou um Brasileiro, uma Copa do Brasil, uma Libertadores, uma Supercopa do Brasil e um Carioca. São troféus que refletem a importância do clube na temporada, mesmo que Viña tenha tido participação limitada.
Seu valor inicial — acima de R$ 40 milhões — contrasta com a atual dificuldade em encontrar uma saída. O investimento que pareceu estratégico transformou-se em uma questão complexa, onde o jogador busca encaixe e o Flamengo tenta proteger seus interesses financeiros enquanto Viña segue vinculado.
A posição firme do Mengão
A exigência do Flamengo não é arbitrária. Ao condicionar a devolução ao pagamento de salários, o clube resguarda-se de um prejuízo duplo: perder o jogador sem receber seu custo mensal. Para o Mengão, não há sentido em devolver um ativo valioso sem que o argumento financeiro seja resolvido pelo lado que deseja se desfazer do jogador.
Essa postura reflete a realidade das negociações modernas. Empréstimos costumam prever cláusulas que definem responsabilidades quando um acordo não funciona. O Flamengo, diante da tentativa do River de se livrar de Viña sem arcar com custos integrais, resiste. É uma negociação de poder onde o clube carioca tem a vantagem: o jogador ainda é seu, e ninguém se livra dele sem pagar o preço.
Enquanto isso, Viña fica preso em uma situação onde nem o River quer, e o Flamengo não pode devolvê-lo sem garantias. O lateral está imobilizado até que uma solução seja encontrada — ou até que o River ceda às exigências do Rubro-Negro.
A situação contrasta com movimentos estratégicos do Flamengo em outras frentes. Recentemente, o clube recusou propostas por outros ativos. O Sharjah FC enviou uma proposta de empréstimo com opção de compra por Lorran, mas o Flamengo travou a negociação. O meia segue treinando normalmente e está à disposição da comissão técnica, com contrato válido até 2029. De forma similar, em agosto o Granada teve proposta pelo mesmo jogador recusada. O clube mantém o controle sobre seus ativos e não aceita ofertas que não atendam seus parâmetros.
O mercado se mexe, mas Viña segue parado
Enquanto o Mengão negocia outras movimentações — como a chegada do atacante argentino Joaquín Freitas, de 19 anos, proveniente do River Plate, que desembarcou no Galeão e se apresentou ao clube —, Viña permanece fora do radar. A contratação de Freitas foi motivada pela venda de Gonzalo Plata ao Dínamo de Moscou, que abriu espaço no setor ofensivo.
O cenário do Flamengo segue agitado no mercado. A Conmebol estabeleceu 4 de setembro como prazo final para inscrever novos jogadores na Libertadores, enquanto a janela nacional fecha em 11 de setembro. Essas datas criam urgência para os movimentos, mas a situação de Viña permanece estagnada.
O lateral uruguaio aguarda uma resolução que, por enquanto, não sai do impasse. O River não quer arcar com seus salários completos. O Flamengo não aceita devolvê-lo sem essa garantia. E Viña, meses sem jogar, fica cada vez mais distante de uma volta aos gramados antes do término do empréstimo em dezembro.

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