Saúl Ñíguez está insatisfeito com a falta de oportunidades no Flamengo e quer sair do clube. O meio-campista espanhol não entra em campo desde 30 de maio, quando participou da vitória por 3 a 0 sobre o Coritiba, e agora tenta encontrar um destino que aceite o salário que recebe atualmente no Rubro-Negro.
A insatisfação do jogador, repercutida pelo S1Live, é dirigida também aos métodos adotados por Leonardo Jardim. Aos 31 anos, Saúl perdeu espaço na equipe e vê outros atletas ganharem preferência: Erick Pulgar, Jorginho, Evertton Araújo, Paquetá e De La Cruz. A sequência de exclusões o levou a avaliar uma saída do clube.
O problema para qualquer movimentação é duplo e grave. Saúl recebe cerca de R$ 2 milhões mensais — uma cifra que poucos clubes conseguem arcar — e seu contrato se estende até 2028. Essa combinação transforma a saída em um quebra-cabeça complexo para a diretoria rubro-negra.
Ausência de cinco meses e relacionações sem utilização
Depois da última atuação contra o Coritiba, Saúl desapareceu dos gramados. A pausa para a Copa do Mundo oferecia uma esperança de recalibragem, mas após o retorno das atividades, o cenário piorou: o jogador foi relacionado para quatro partidas e não utilizou um minuto sequer em nenhuma delas.
Leonardo Jardim consolidou Jorginho e Pulgar como dupla titular no meio-campo, reduzindo drasticamente as oportunidades para o espanhol. Problemas físicos e dificuldades de adaptação ao futebol brasileiro também influenciaram a avaliação do técnico, limitando ainda mais as chances de Saúl recuperar espaço.
A situação é particularmente frustrante porque Saúl chegou ao Mengão com grandes expectativas e credencial importante na carreira. Mas o tempo não correu a seu favor. Enquanto a Nação rubro-negra segue envolvida em competições importantes, o jogador assiste do banco.
Mercado como única saída possível
A diretoria do Flamengo está ciente da situação e reconhece a dificuldade. Não se trata apenas de vontade ou desempenho — é uma questão de viabilidade econômica. Saúl procura um clube disposto a arcar com os valores que recebe atualmente no Rubro-Negro. Sem essa disposição, a negociação não avança.
O contrato até 2028 funciona como um muro. Rescindir ou reduzir drasticamente o salário geraria perdas financeiras consideráveis ao clube. Assim, a saída passa necessariamente por encontrar uma instituição no mercado — seja no Brasil ou no exterior — que assuma o custo integral do atleta.
Esse cenário coloca em xeque não apenas o futuro de Saúl, mas também a capacidade do Flamengo de gerenciar situações semelhantes no futuro. Contratos de longo prazo com salários elevados exigem que o desempenho acompanhe o investimento.
No curto prazo, a insatisfação do jogador pode afetar a dinâmica do elenco. Uma presença desconfortável no elenco — mesmo que fora de campo — gera vibração interna. Enquanto isso, Leonardo Jardim trabalha com as peças disponíveis, e o Mais Querido segue sua trajetória na temporada com outras prioridades.
O Flamengo é vice-líder com 42 pontos em 21 jogos e tem um jogo a menos que o Palmeiras. Além disso, o clube enfrenta o Cruzeiro nas oitavas da Libertadores — a ida está marcada para amanhã, 12 de agosto, no Mineirão, com a volta prevista para 19 de agosto no Maracanã. Em meio a essas obrigações, o caso de Saúl segue como questão administrativa pendente, cuja resolução dependerá exclusivamente das movimentações do mercado da bola.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.