Se pisar no gramado do Estádio Olímpico Atahualpa nesta quinta-feira, Arrascaeta completará 70 jogos pelo Flamengo na Copa Libertadores da América. O camisa 10 não será apenas um espectador nessa marca histórica — será o ponto de partida de uma trajetória que define o futebol do Mais Querido na competição continental.
Na véspera do duelo contra o Independiente del Valle, pelas quartas de final, o meia uruguaio concedeu entrevista e falou sobre o feito. “É mais uma honra para mim. Se Deus quiser, vou poder estar amanhã e ajudar meus companheiros”, disse Arrascaeta, em tom de quem sabe o peso da responsabilidade diante de um desafio de altitude em Quito.
A próxima partida não é qualquer jogo. O Independiente del Valle joga em casa, em Quito, a 2.850 metros de altitude. O Flamengo já viajou diretamente de Belém para o Equador após vencer o Remo na sexta-feira. Arrascaeta conhece bem o desafio à frente e não disfarçou a dificuldade: “Vai ser um jogo muito difícil, contra um time que joga muito bem aqui na altitude. Temos que fazer um jogo perfeito e depois a gente vai tentar, dentro das nossas características, tentar fazer o que a gente vem fazendo nesses últimos jogos”.
Retrospecto impressionante na Libertadores
Em 69 jogos pela Copa Libertadores ao lado do Mengão, Arrascaeta acumula números que falam por si. Venceu 45 partidas, empatou 17 e perdeu apenas sete. Marcou 13 gols e distribuiu 19 assistências. Recebeu dez cartões amarelos, mas nunca foi expulso no torneio continental. Nenhuma estatística casual — cada número reflete o profissionalismo e a inteligência de quem conhece o ritmo europeu e se adapta à intensidade da Libertadores.
O retrospecto do uruguaio na competição ultrapassa os números. Esta é sua oitava participação na Libertadores. Conquistou três títulos — 2019 e 2022 com o Flamengo, além de um com o River Plate — e uma medalha de prata. Seu currículo no torneio é melhor que o de clubes como Vasco, Botafogo e Fluminense. Quando se fala em legado continental, Arrascaeta não é coadjuvante.
A maturidade do grupo, segundo o camisa 10, é um diferencial. “Temos um grupo muito maduro aqui, tem muitos jogadores experientes e nós sabemos quando a gente está devendo um pouquinho mais. Cada um pensou no que podia melhorar, no que podia acertar. Estamos numa crescente muito boa”, afirmou em entrevista à FlamengoTV. A mensagem aponta para um Flamengo em construção, ciente de suas limitações, mas confiante no caminho.
O desafio equatoriano e a volta no Maracanã
A partida de ida será transmitida exclusivamente pela ESPN e pelo Disney+, a partir das 21h30 (horário de Brasília). O Independiente del Valle não é um adversário simples — é um time que conhece sua casa, sua altitude, seus próprios jogadores. A volta ocorrerá no Maracanã em 17 de setembro, também às 21h30, com ingressos já à venda desde o final de agosto.
Arrascaeta entende que a Nação rubro-negra precisa estar atenta. “Amanhã é um jogo diferente, com outra característica. Temos que estar preparados para isso. A Nação pode continuar apoiando esse grupo, vamos tentar dar o nosso melhor”, disse o meia, em tom que mistura confiança com respeito ao adversário.
A marca de 70 jogos na Libertadores não é apenas um número que cairá no histórico. É a consolidação de um jogador que representa o tipo de craque que gerações de torcedores admiram — aquele que não apenas joga bem, mas que também marca presença em momentos que importam. Se entrar em campo nesta quinta, Arrascaeta não estará apenas atingindo um feito pessoal. Estará reafirmando por que é um dos maiores jogadores da história da Copa Libertadores da América.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.